Quem produz o conhecimento: equidade e educação no Brasil que queremos / Jornal da Ciência

Quem produz o conhecimento: equidade e educação no Brasil que queremos / Jornal da Ciência

A desigualdade brasileira não é efeito colateral do desenvolvimento, é a sua estrutura. O país registra coeficiente de Gini em torno de 0,55, com o 1% mais rico detendo 25% da renda nacional enquanto metade da população fica com 9%. O racismo é a pedra angular dessa arquitetura, e sua face mais cruel é a violência: das quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil, três são negras, e uma pessoa trans é morta a cada dia e meio, com vítimas majoritariamente negras e jovens.

Essa estrutura atravessa a própria ciência. Apenas 12% dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq são pretos ou pardos, num país em que essa população é 55,5% do total. A UnB tem dois professores indígenas depois de trinta anos de debate sobre diversidade. Passaram-se 45 anos desde que o Movimento Negro Unificado pediu uma ciência a serviço das etnias oprimidas, e o desafio permanece. Como sintetizou Nilma Lino Gomes no ciclo, toda inovação carrega valores, e a pergunta que importa é quais valores estamos colocando no centro.

#Educação #CiênciaBrasileira

via Jornal da Ciência

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-quem-produz-o-conhecimento-equidade-e-educacao-no-brasil-que-queremos/

A interiorização da universidade brasileira / A Terra é redonda

A interiorização da universidade brasileira / A Terra é redonda

O desafio consiste justamente em combinar presença, circulação e enraizamento.

Talvez tenha chegado o momento de uma segunda geração das políticas de interiorização. A primeira cumpriu uma tarefa histórica extraordinária: colocou universidades e institutos federais em lugares onde eles simplesmente não existiam. A próxima precisa enfrentar uma questão mais difícil: como transformar presença institucional em desenvolvimento territorial sem transformar trabalhadores em colonos encarregados de ocupar uma fronteira?

Isso exige políticas de desenvolvimento das cidades e regiões que recebem instituições federais; infraestrutura; transporte; cultura; conectividade; incentivos; redes de pesquisa; integração entre municípios; cooperação entre universidades, institutos federais e governos locais; e mecanismos capazes de fazer circular conhecimento entre centro e interior em ambas as direções. Sobretudo, exige abandonar uma concepção segundo a qual interiorizar significa apenas fixar.

#UniversidadesPúblicas #CiênciaBrasileira

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/a-interiorizacao-da-universidade-brasileira/

“Ciência” vendida, “ciência comprada”: uma investigação sobre a comercialização de autoria e coautoria em artigos científicos no Brasil / Research Gate

“Ciência” vendida, “ciência comprada”: uma investigação sobre a comercialização de autoria e coautoria em artigos científicos no Brasil / Research Gate

Os resultados permitem reconstruir um movimento estruturado em seis etapas processuais, da aquisição do manuscrito à reverberação pública do fenômeno, hierarquizado pela classificação Qualis e sustentado por retórica interna que distingue, sem amparo ético, “venda de autoria” de “oferta de vagas de coautoria”. Identificam-se três ordens de efeito: dano epistemológico, pela infiltração de conteúdo sem avaliação por pares efetiva em periódicos formalmente indexados; dano institucional, pela exploração dos próprios critérios oficiais de avaliação de carreira e conclusão de curso; e dano à percepção social da ciência, explicitado por reações profissionais, cobertura jornalística e iniciativa legislativa. Conclui-se que o fenômeno investigado desloca o foco analítico do periódico predatório isolado para a dinâmica processual do mercado de autoria, contribuindo à Ciência da Informação com reconstrução empírica ainda pouco sistematizada pela literatura nacional.

#FábricasDePapers #MásCondutasCientíficas #CiênciaBrasileira #RevistasPredatórias

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/413888851_Ciencia_vendida_ciencia_comprada_uma_investigacao_sobre_a_comercializacao_de_autoria_e_coautoria_em_artigos_cientificos_no_Brasil

Soberania se constrói com ciência / Jornal da Ciência

Soberania se constrói com ciência / Jornal da Ciência

A SBPC mantém, como sempre, sua independência político-partidária. O Observatório não apoia, recomenda ou se opõe a candidaturas. Seu papel é oferecer informação, promover o debate e dar transparência aos compromissos assumidos. Queremos que ciência, tecnologia e inovação sejam discutidas nas eleições com propostas, metas, recursos e responsabilidades claramente apresentados à sociedade.

Convidamos a comunidade científica e toda a sociedade a participar. Conheçam as propostas, consultem as adesões, enviem perguntas e levem esse debate às candidaturas de seus estados. Às candidatas e aos candidatos, o convite é igualmente aberto: conheçam a agenda construída pela comunidade científica, dialoguem conosco e assumam publicamente os compromissos que estiverem de acordo com seus projetos para o País.

#Eleições #CiênciaBrasileira

via Jornal da Ciência

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-soberania-se-constroi-com-ciencia/

SBPC lança Observatório das Eleições 2026 / Ciência e Cultura

SBPC lança Observatório das Eleições 2026 / Ciência e Cultura

Como parte de sua atuação e articulação com os poderes Legislativo e Executivo em prol da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) disponibiliza em seu portal, a partir desta segunda-feira (17/08), o Observatório das Eleições 2026.

A iniciativa tem duas ações centrais. A primeira é reunir candidatas e candidatos de todas as esferas – deputada(o) estadual, deputado federal, senador(a), governador(a) e presidente – que se comprometam abertamente com o desenvolvimento de CT&I, o que envolve a inclusão e defesa do tema em seus planos de governo e/ou promessas de campanha.

#Eleições #CiênciaBrasileira #SBPC

via Ciência e Cultura

Disponível em: https://revistacienciaecultura.org.br/?p=10638

Ecossistema de Editoração: Indexação, Infraestrutura Técnica e Futuro, entrevista a Carmino Antonio de Souza, vice-presidente da FAPESP / SciELO em Perspectiva

Ecossistema de Editoração: Indexação, Infraestrutura Técnica e Futuro, entrevista a Carmino Antonio de Souza, vice-presidente da FAPESP / SciELO em Perspectiva

A internacionalização, a ciência aberta, a integridade científica e o uso responsável de novas tecnologias, como a inteligência artificial, farão parte da rotina da próxima geração de pesquisadores. Desenvolver essas competências desde o início da carreira será cada vez mais importante para atuar em um sistema científico global e altamente conectado.

O Brasil dispõe de uma comunidade científica talentosa, instituições de excelência e agências de fomento reconhecidas internacionalmente. Aproveitar essas oportunidades exige planejamento, dedicação e uma visão de longo prazo para a construção da carreira científica. A ciência é um esforço coletivo, e cada nova geração tem a responsabilidade de ampliar o conhecimento produzido pelas gerações anteriores e formar aqueles que virão depois.

via SciELO em Perspectiva

#CiênciaBrasileira #FAPESP

Disponível em: https://blog.scielo.org/blog/2026/08/14/ecossistema-de-editoracao-indexacao-infraestrutura-tecnica-e-futuro/

EUA e Europa desafiados pela Ásia e pelo Oriente Médio: rankings da QS / University World News

EUA e Europa desafiados pela Ásia e pelo Oriente Médio: rankings da QS / University World News

A trajetória de declínio da América Latina continua, com 52% das universidades da região apresentando queda e 8% registrando melhora. Isso significa que, das 188 instituições da região incluídas no ranking, apenas nove subiram de posição este ano. No entanto, a principal instituição da região, a Universidad de Buenos Aires, manteve-se na 84ª posição e continua sendo a única universidade latino-americana entre as 100 melhores pelo segundo ano consecutivo.

Ela ocupou o primeiro lugar na América Latina em 11 dos últimos 12 anos, perdendo a liderança para a Universidade de São Paulo (USP) apenas em 2024. É seguida pela Pontificia Universidad Católica de Chile, na 119ª posição, e pela Universidade de São Paulo, na 133ª.

Embora o Brasil mantenha o ecossistema de pesquisa mais forte da região, o declínio generalizado das instituições evidencia a crescente competitividade e os desafios relacionados ao impacto das pesquisas.

#Universidades #CiênciaBrasileira #Rankings

via University World News

Disponível em: https://www.universityworldnews.com/post.php?story=20260620082137544

Doutorado para quê? / A Terra é redonda

Doutorado para quê? / A Terra é redonda

O gargalo do desemprego acadêmico não anula a potência do saber: fazer ciência no Brasil é um desafio histórico que transcende a lógica do lucro imediato e consolida-se como resistência intelectual. (…)

O título não garante emprego, renda ou estabilidade, e romantizar essa incerteza seria desonesto; ainda assim, aprender a pesquisar amplia a autonomia intelectual, fortalece a participação pública e permite que escolas, hospitais, governos, comunidades e instituições recebam contribuições construídas durante anos de estudo.

Ser doutor(a) não significa ocupar um lugar acima das outras pessoas, mas assumir maior responsabilidade diante do mundo comum. Num país que necessita de ciência, educação e pensamento crítico, essa escolha continua valendo porque converte conhecimento em força social. Se o Brasil precisa de pessoas capazes de compreender profundamente seus problemas, por que ainda hesita em criar lugar para elas?

#PósGraduação #CiênciaBrasileira #Doutorado

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/copy/

“Ciência para todos não é um slogan: é um projeto de país”/ Jornal da Ciência

“Ciência para todos não é um slogan: é um projeto de país”/ Jornal da Ciência

O geógrafo baiano Milton Santos nos ensinou a ver o território não como um simples palco, mas como território usado — vivido, disputado, feito de escolhas. E nos alertou, ainda no fim do século passado, para uma globalização que insiste em reservar aos países da periferia o papel de meros fornecedores de matéria-prima.

Esse alerta nunca foi tão atual. O Brasil está sentado sobre algumas das maiores reservas de minerais estratégicos e de biodiversidade do planeta — os minerais e as moléculas que movem a transição energética, a inteligência artificial e a medicina deste século. A pergunta que esta reunião coloca ao país é decisiva: seremos, mais uma vez, exportadores de matéria bruta? Ou seremos, enfim, produtores de conhecimento, de valor e de soberania? Porque soberania, hoje, se escreve com ciência. Um povo que não domina o conhecimento que o sustenta não é inteiramente dono do próprio destino. Não há Brasil soberano sem ciência brasileira.

#CiênciaBrasileira

via Jornal da Ciência

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/ciencia-para-todos-nao-e-um-slogan-e-um-projeto-de-pais/

Modelagem da presença de instituições de ensino superior em rankings globais: evidências do Brasil com base em indicadores do SciVal / Scientometrics

Modelagem da presença de instituições de ensino superior em rankings globais: evidências do Brasil com base em indicadores do SciVal / Scientometrics

Este estudo examina como os indicadores bibliométricos do SciVal diferenciam as instituições de ensino superior (IES) brasileiras que figuram nos principais rankings universitários globais daquelas que permanecem ausentes. Utilizando dados de 87 IES brasileiras e indicadores do SciVal referentes ao período de 2018 a 2025, aplica-se uma estrutura analítica integrada que combina o agrupamento *K-means* e modelos supervisionados — incluindo regressão logística, árvores de decisão (J48) e regressão por vetores de suporte (SMOreg) —, com técnicas de balanceamento de classes e validação cruzada estratificada de dez *folds*. Os resultados indicam que um conjunto restrito de indicadores do SciVal — particularmente a proporção de publicações em periódicos de alto impacto, as medidas de impacto baseadas em citações e os padrões de colaboração — apresenta um poder discriminatório substancial em relação à presença nos rankings, alcançando uma acurácia de classificação de aproximadamente 80%. No entanto, visto que os indicadores bibliométricos são incorporados direta ou indiretamente às metodologias dos rankings, as conclusões devem ser interpretadas como evidência de uma sobreposição discriminatória, e não como determinantes causais da inclusão.

#Rankings #Universidades #Bibliometria #CiênciaBrasileir

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05626-w

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

A ciência que interessa ao Brasil, nunca duvidemos disso, é a ciência que interessa ao povo – e não ao agronegócio, à especulação financeira. Sob a imposição de traços culturais retrógrados – patriarcalismo, machismo – e de acordo com a orientação dos tempos pós-modernos, o país é repleto de não-saberes que (muito infelizmente) também são poderes.[iii]

Portanto, como indicado no início, é possível partir da premissa de que a ciência é um processo de investigação que segue padrões ou modelos específicos (metodologia científica), com destaque para a observação, prospecção (“experimentação”), catalogação, análise (refutação ou confirmação de postulados, teorias anteriores), em que a “massa crítica” surge com a insatisfação (incerteza) diante das afirmações predominantes, sem que se anule todas as interferências externas (não cientificas) advindas da política, da economia, da cultura, da moral e da própria visão de mundo do sujeito cognoscente sobre o objeto cognoscível (e que pode ser o mesmo sujeito, com “lugar de fala”).

#Ciência #CiênciaBrasileira

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/o-que-e-ciencia-afinal/

O que o cruzamento entre dados cientométricos e a Plataforma Lattes revela sobre a ciência nacional? / Jornal da USP

O que o cruzamento entre dados cientométricos e a Plataforma Lattes revela sobre a ciência nacional? / Jornal da USP

A primeira informação que salta aos olhos é que, embora o Brasil represente cerca de 2,7% da população mundial, quando se analisam os artigos publicados de 1960 até o presente, o Brasil participa com apenas 0,43% dos pesquisadores listados. Quando o recorte é feito apenas nos anos da análise (2019-2023), esse número sobe para 0,577% dos pesquisadores. Em outras palavras: nossa participação entre os pesquisadores mais influentes do mundo é proporcionalmente menor do que seria esperado para um país do nosso tamanho.

Também encontramos uma forte concentração da produção científica brasileira a depender da área e subárea. Das 20 áreas avaliadas, três delas não apresentam pesquisadores brasileiros e das 174 subáreas avaliadas, mais de 100 ou não têm pesquisadores brasileiros ou seu número é expressivamente pequeno em relação ao potencial brasileiro.

#CiênciaBrasileira

via Jornal da USP

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/o-que-o-cruzamento-entre-dados-cientometricos-e-a-plataforma-lattes-revela-sobre-a-ciencia-nacional/