Doutorado para quê? / A Terra é redonda

Doutorado para quê? / A Terra é redonda

O gargalo do desemprego acadêmico não anula a potência do saber: fazer ciência no Brasil é um desafio histórico que transcende a lógica do lucro imediato e consolida-se como resistência intelectual. (…)

O título não garante emprego, renda ou estabilidade, e romantizar essa incerteza seria desonesto; ainda assim, aprender a pesquisar amplia a autonomia intelectual, fortalece a participação pública e permite que escolas, hospitais, governos, comunidades e instituições recebam contribuições construídas durante anos de estudo.

Ser doutor(a) não significa ocupar um lugar acima das outras pessoas, mas assumir maior responsabilidade diante do mundo comum. Num país que necessita de ciência, educação e pensamento crítico, essa escolha continua valendo porque converte conhecimento em força social. Se o Brasil precisa de pessoas capazes de compreender profundamente seus problemas, por que ainda hesita em criar lugar para elas?

#PósGraduação #CiênciaBrasileira #Doutorado

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/copy/

“Ciência para todos não é um slogan: é um projeto de país”/ Jornal da Ciência

“Ciência para todos não é um slogan: é um projeto de país”/ Jornal da Ciência

O geógrafo baiano Milton Santos nos ensinou a ver o território não como um simples palco, mas como território usado — vivido, disputado, feito de escolhas. E nos alertou, ainda no fim do século passado, para uma globalização que insiste em reservar aos países da periferia o papel de meros fornecedores de matéria-prima.

Esse alerta nunca foi tão atual. O Brasil está sentado sobre algumas das maiores reservas de minerais estratégicos e de biodiversidade do planeta — os minerais e as moléculas que movem a transição energética, a inteligência artificial e a medicina deste século. A pergunta que esta reunião coloca ao país é decisiva: seremos, mais uma vez, exportadores de matéria bruta? Ou seremos, enfim, produtores de conhecimento, de valor e de soberania? Porque soberania, hoje, se escreve com ciência. Um povo que não domina o conhecimento que o sustenta não é inteiramente dono do próprio destino. Não há Brasil soberano sem ciência brasileira.

#CiênciaBrasileira

via Jornal da Ciência

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/ciencia-para-todos-nao-e-um-slogan-e-um-projeto-de-pais/

Modelagem da presença de instituições de ensino superior em rankings globais: evidências do Brasil com base em indicadores do SciVal / Scientometrics

Modelagem da presença de instituições de ensino superior em rankings globais: evidências do Brasil com base em indicadores do SciVal / Scientometrics

Este estudo examina como os indicadores bibliométricos do SciVal diferenciam as instituições de ensino superior (IES) brasileiras que figuram nos principais rankings universitários globais daquelas que permanecem ausentes. Utilizando dados de 87 IES brasileiras e indicadores do SciVal referentes ao período de 2018 a 2025, aplica-se uma estrutura analítica integrada que combina o agrupamento *K-means* e modelos supervisionados — incluindo regressão logística, árvores de decisão (J48) e regressão por vetores de suporte (SMOreg) —, com técnicas de balanceamento de classes e validação cruzada estratificada de dez *folds*. Os resultados indicam que um conjunto restrito de indicadores do SciVal — particularmente a proporção de publicações em periódicos de alto impacto, as medidas de impacto baseadas em citações e os padrões de colaboração — apresenta um poder discriminatório substancial em relação à presença nos rankings, alcançando uma acurácia de classificação de aproximadamente 80%. No entanto, visto que os indicadores bibliométricos são incorporados direta ou indiretamente às metodologias dos rankings, as conclusões devem ser interpretadas como evidência de uma sobreposição discriminatória, e não como determinantes causais da inclusão.

#Rankings #Universidades #Bibliometria #CiênciaBrasileir

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05626-w

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

A ciência que interessa ao Brasil, nunca duvidemos disso, é a ciência que interessa ao povo – e não ao agronegócio, à especulação financeira. Sob a imposição de traços culturais retrógrados – patriarcalismo, machismo – e de acordo com a orientação dos tempos pós-modernos, o país é repleto de não-saberes que (muito infelizmente) também são poderes.[iii]

Portanto, como indicado no início, é possível partir da premissa de que a ciência é um processo de investigação que segue padrões ou modelos específicos (metodologia científica), com destaque para a observação, prospecção (“experimentação”), catalogação, análise (refutação ou confirmação de postulados, teorias anteriores), em que a “massa crítica” surge com a insatisfação (incerteza) diante das afirmações predominantes, sem que se anule todas as interferências externas (não cientificas) advindas da política, da economia, da cultura, da moral e da própria visão de mundo do sujeito cognoscente sobre o objeto cognoscível (e que pode ser o mesmo sujeito, com “lugar de fala”).

#Ciência #CiênciaBrasileira

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/o-que-e-ciencia-afinal/

O que o cruzamento entre dados cientométricos e a Plataforma Lattes revela sobre a ciência nacional? / Jornal da USP

O que o cruzamento entre dados cientométricos e a Plataforma Lattes revela sobre a ciência nacional? / Jornal da USP

A primeira informação que salta aos olhos é que, embora o Brasil represente cerca de 2,7% da população mundial, quando se analisam os artigos publicados de 1960 até o presente, o Brasil participa com apenas 0,43% dos pesquisadores listados. Quando o recorte é feito apenas nos anos da análise (2019-2023), esse número sobe para 0,577% dos pesquisadores. Em outras palavras: nossa participação entre os pesquisadores mais influentes do mundo é proporcionalmente menor do que seria esperado para um país do nosso tamanho.

Também encontramos uma forte concentração da produção científica brasileira a depender da área e subárea. Das 20 áreas avaliadas, três delas não apresentam pesquisadores brasileiros e das 174 subáreas avaliadas, mais de 100 ou não têm pesquisadores brasileiros ou seu número é expressivamente pequeno em relação ao potencial brasileiro.

#CiênciaBrasileira

via Jornal da USP

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/o-que-o-cruzamento-entre-dados-cientometricos-e-a-plataforma-lattes-revela-sobre-a-ciencia-nacional/

As novas diretrizes da CAPES / A Terra é redonda

As novas diretrizes da CAPES / A Terra é redonda

A intenção de superar os limites do Qualis centrado em periódicos é legítima e necessária. Entretanto, o modelo proposto pela CAPES parece transferir problemas antigos para uma nova arquitetura avaliativa sem resolver questões estruturais do sistema científico brasileiro. Persistem os desafios relacionados às publicações predatórias, aos vieses linguísticos da bibliometria, à diversidade disciplinar, às temporalidades distintas do conhecimento, à pressão por visibilidade digital e à ausência de clareza sobre os processos de avaliação qualitativa.

Mais do que nunca, torna-se indispensável ampliar o debate com a comunidade científica, especialmente, com as áreas de Educação e Humanidades para construir critérios capazes de valorizar a produção em língua portuguesa, a relevância social da pesquisa, a pluralidade metodológica e a autonomia intelectual das universidades. Sem isso, a prometida modernização poderá converter-se apenas em mais um movimento de adaptação periférica às dinâmicas globais de mercantilização da ciência.

#Qualis #CAPES #CiênciaBrasileira

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/as-novas-diretrizes-da-capes/

Ciência de fronteira exige risco, mas Brasil ainda pune o fracasso / Science Arena

Ciência de fronteira exige risco, mas Brasil ainda pune o fracasso / Science Arena

Avaliadores podem rejeitar propostas que desafiam paradigmas estabelecidos, especialmente quando essas propostas cruzam fronteiras disciplinares e escapam aos critérios de avaliação tradicionais e consagrados.

O resultado é um sistema cuja estrutura muitas vezes pune o risco. As métricas de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), principal órgão de avaliação da pós-graduação no Brasil, focam em resultados rápidos e impacto mensurável. Projetos com potencial inovador, mas com mais chances de insucesso, nem sempre encontram ambiente favorável à aprovação.

#Ciência #CiênciaBrasileira

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/noticias/ciencia-de-fronteira-exige-risco-mas-brasil-ainda-pune-o-fracasso/

Publicações científicas voltam a crescer após a pandemia / Pesquisa Fapesp

Publicações científicas voltam a crescer após a pandemia / Pesquisa Fapesp

– Após queda em quase todos os países durante parte da pandemia, entre 2021 e 2023, o número de publicações científicas indexadas1 voltou 
a crescer entre 2023 e 2025
– Entre 2021 e 2023, o total mundial de publicações científicas indexadas diminuiu de 3,10 milhões para 2,90 milhões, retração de 6,7%
– Entre 2023 e 2025, a produção mundial voltou a crescer 12,8%, e chegou a 3,27 milhões. Como resultado, o total mundial cresceu 5,2% entre 2021 e 2025
– A recuperação entre 2023 e 2025 foi ampla, no entanto poucos países conseguiram recuperar o número de 2021, como mostram os dados abaixo.

#ProduçãoCientífica #CiênciaBrasileira

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/publicacoes-cientificas-voltam-a-crescer-apos-a-pandemia/

Burocracia, hierarquias rígidas e fuga de talentos limitam pesquisa no Brasil, diz estudo / Science Arena

Burocracia, hierarquias rígidas e fuga de talentos limitam pesquisa no Brasil, diz estudo / Science Arena

Os obstáculos a esse desenvolvimento são, segundo o estudo, a burocracia excessiva, o controle exagerado sobre pesquisadores e um modelo de financiamento dominado por editais competitivos de curto prazo. Esse modelo induz aversão ao risco e fragmenta as agendas de pesquisa, resultado direto da pressão constante por captação de recursos.

O dado mais revelador: apenas 45% dos entrevistados afirmam ter tempo suficiente para pesquisa.

Apenas 45% dos entrevistados afirmam ter tempo suficiente para pesquisa. O restante do tempo é consumido por relatórios, captação constante de recursos e processos administrativos redundantes.

#CiênciaBrasileira

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/noticias/burocracia-hierarquias-rigidas-e-fuga-de-talentos-limitam-pesquisa-no-brasil-diz-estudo/

Universidades públicas: a base da soberania científica do Brasil / Jornal da Ciência

Universidades públicas: a base da soberania científica do Brasil / Jornal da Ciência

“O Brasil construiu, ao longo de décadas, um sistema de educação superior pública e de pós-graduação que é referência na América Latina. Esse patrimônio está sob pressão. Preservá-lo e fortalecê-lo é uma escolha política, e uma escolha que define o tipo de país que queremos ser”, escrevem Francilene Garcia e Soraya Smaili, respectivamente, presidente e vice-presidente da SBPC, para a editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira

WhatsApp Image 2026-04-30 at 18.12.21A ciência brasileira tem endereço. Ela nasce, em sua grande maioria, dentro das universidades públicas, federais, estaduais e municipais, espalhadas por todas as regiões do país. São nesses campi, muitas vezes distantes dos grandes centros, que se formam os pesquisadores, se produz o conhecimento e se constroem as bases do desenvolvimento nacional. Compreender esse fato é o ponto de partida para qualquer debate sério sobre ciência, soberania e futuro do Brasil.

#UniversidadesPúblicas #CiênciaBrasileira

via Jornal da Ciência

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-universidades-publicas-a-base-da-soberania-cientifica-do-brasil/

Universidades federais expandem formação científica sob pressão financeira / Jornal da Ciência

Universidades federais expandem formação científica sob pressão financeira / Jornal da Ciência

Os dados apontaram um descompasso entre expansão e financiamento: entre 2014 e 2023, os recursos destinados às universidades federais recuaram 4% – em algumas universidades, essa redução foi muito maior, chegando a 24%, como na Universidade de Brasília –  enquanto as matrículas na pós-graduação stricto sensu cresceram 44,6% na década analisada.

O estudo também revela que o período de maior queda no fluxo de recursos foi entre 2017 e 2021, com cortes de quase 42%, com relação a 2014. De 2022 a 2024, observa-se um movimento gradual de recuperação, de R$6,46 bilhões, para R$ 9,3 bi – porém, 2024 ainda se encerrou com quase um montante de despesas liquidadas quase 15% abaixo do que em 2014.

#UniversidadesPúblicas #CiênciaBrasileira #PósGraduação

Disponível em: https://www.jornaldaciencia.org.br/universidades-federais-expandem-formacao-cientifica-sob-pressao-financeira/

Ciência na América Latina cresce, mas segue com baixo investimento, diz Gabriela Dutrénit / Science Arena

Ciência na América Latina cresce, mas segue com baixo investimento, diz Gabriela Dutrénit / Science Arena

Referência nos estudos sobre políticas de ciência, tecnologia e inovação na América Latina, Dutrénit é uma das principais autoras do Unesco Science Report: The Race Against Time for Smarter Development, publicado em 2021 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O relatório, considerado uma das principais referências globais sobre tendências em ciência e inovação, trouxe um diagnóstico importante para a região: entre 2014 e 2018, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento caíram 7% na América Latina, na contramão do crescimento global, com redução de 15% no investimento por pesquisador.

“O gasto em pesquisa e desenvolvimento como proporção do PIB é baixo e historicamente insuficiente na região. Ainda assim, a produção científica cresce, demonstrando o compromisso da comunidade científica latino-americana”, disse a pesquisadora em entrevista exclusiva ao Science Arena.

#CiênciaBrasileira

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/entrevistas/ciencia-na-america-latina-cresce-mas-segue-com-baixo-investimento-diz-gabriela-dutrenit/