Ciência da Informação, Estudos de Gênero e Estudos Queer: relações existentes, por Abe Muniz Pinto / Divulga-CI
“Nos trabalhos de conclusão dos cursos de Pós-Graduação em CI no Brasil, até 2023, foram recuperados 18 trabalhos sobre gênero e comunidade LGBTQIAPN+, das teses e dissertações analisadas, as três autorias mais citadas sobre a questão de gênero são: Guacira Louro, Judith Butler e Michel Foucault.” aponta a pessoa pesquisadora Me. Abe Muniz Pinto, estudante do doutoramento em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Pernambuco.
A representação temática do feminino na literatura de cordel / PPGCI – UEL
Os resultados do estudo evidenciam a recorrência de categorias de representação do feminino marcadas por permanências e deslocamentos ao longo das décadas analisadas, bem como a construção de um repertório de termos e categorias que subsidiam práticas de representação temática em acervos literários. Ao evidenciar as formas pelas quais o feminino é representado nos folhetos de cordel, esta pesquisa contribui para o debate informacional sobre a organização de acervos literários e amplia a reflexão crítica acerca das desigualdades de gênero presentes nos discursos culturais, indicando a relevância social do tratamento temático da informação
Questões de gênero no catálogo do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará: uma proposta de revisão de termos / Palabra Clave
A análise dos dados foi constituída por 31 termos que abrangem uma variedade de questões elacionadas aogênero homem no catálogo SiBi-UFC e realizada a partir da busca no catálogo SiBi-UFC e na ferramenta Linked Data Service, em que os LCSH estão integrados, e possibilitou a construção das seguintes categorias: Seres humanos (15); Disciplinas (9); Mista (4); Outros (3). (…)
Há as seguintes constatações e recomendações para implantação na política e/ou manual de indexação:
– não usar termos genéricos de gênero, a exemplo de “homem”, substitua por seres humanos, humana, humano, homens, mulheres, gays, lésbicas, conforme o caso;
– evitar a adjetivação dos termos por meio do uso de feminino, de masculino, a exemplo de: em vez de Infratoras femininas, usar “Mulheres Infratoras”, para mulheres e “Homens Infratores”, para homens; utilizar “Enfermeiras”, para mulheres e “Enfermeiros”, para homens, e não enfermeiros do sexo masculino, tampouco enfermeiros masculinos;
O papel das bibliotecas escolares nas relações étnico-raciais e de gênero: ações do Programa de Biblioteca e Leitura Contagem das Letras / Biblioteca Escolar em Revista
O texto enfatiza que a biblioteca vai além do empréstimo de livros: é lugar de resistência, escuta e transformação social. As ações descritas demonstram o potencial das bibliotecas escolares como espaços de mediação cultural e promoção da diversidade, reafirmando o papel da escola como território de construção de identidades, reconhecimento de saberes plurais e fortalecimento da representatividade de mulheres e pessoas negras na literatura e em outras áreas do conhecimento.
Questões de gênero no catálogo do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará: uma proposta de revisão de termos / Palabra Clave
Conclui-se a pertinência de aprimoramento do catálogo SiBi-UFC em relação às questões de gênero nos seguintes aspectos: não usar termos genéricos de gênero, a exemplo de “homem”; evitar a adjetivação dos termos por meio do uso de feminino, de masculino; duplicidade de registros de autoridade de diversas fontes no catálogo, isto é, inclusão de mais de um registro de autoridade do DeCS e dos LCSH que de fato são sinônimos; enviesamento de gênero por meio da manutenção de termos ou de remissivas “ver” que incluem a palavra “homem”.
Organização do conhecimento, gênero e colonialidade na versão em espanhol da vigesimosegunda edição da Classificação Decimal Dewey (CDD22): um estudo crítico interseccional / Investigación Bibliotecológica
A análise identifica quatro padrões estruturais na representação de categorias relacionadas a gênero e dissidência de gênero e sexual: invisibilidade conceitual, patologização, fragmentação temática e subordinação hierárquica. Esses padrões revelam dinâmicas de injustiça epistêmica que restringem a inteligibilidade e a autonomia classificatória de certas experiências sociais, especialmente em campos como saúde, violência e ciências sociais. A partir de uma perspectiva interseccional situada, o estudo insere essas descobertas no âmbito das epistemologias feministas latino-americanas, ressaltando a necessidade de uma revisão crítica dos sistemas de organização do conhecimento para avançar em direção a formas mais inclusivas e socialmente responsáveis de representação documental.
Marcando o gênero: uma análise crítica da representação de gênero nos cabeçalhos de assunto da Biblioteca do Congresso / Library resources & technical services
Este estudo investigou como os binarismos de gênero foram representados e marcados, conforme demonstrado pelo número total de termos da LCSH contendo “mulheres”/“feminino” ou “homens”/“masculino”. Os resultados mostram que a LCSH apresenta um número significativamente desproporcional de termos demográficos femininos (91,4%, 2.142 termos) [por exemplo, Mulheres ativistas políticas, Mulheres reformadoras sociais, Mulheres abolicionistas, Mulheres revolucionárias, Mulheres pioneiras, Mulheres pacifistas e Mulheres filantropas]
Uma disparidade significativa também foi observada em títulos com distinção de gênero que não possuíam termos correspondentes para o gênero oposto. Quase todos os títulos femininos (94,1%, 2.016 de 2.142) não possuíam títulos masculinos equivalentes, enquanto apenas 37,3% (75 de 201) dos títulos masculinos não possuíam termos femininos equivalentes na LCSH. Essa diferença gritante foi paralela à diferença desproporcional no número total de títulos femininos e masculinos.
Práticas de compartilhamento de conhecimento, redes de colaboração e diversidade de gênero e raça em redes de pesquisa translacional: um estudo de caso na Fiocruz / PPGCI – IBICT
Os resultados revelam que, embora haja predominância feminina entre os pesquisadores, os nós centrais das redes permanecem majoritariamente ocupados por homens brancos, evidenciando desigualdades estruturais. A representatividade racial é baixa, especialmente nos cargos de maior prestígio e liderança, o que aponta para a necessidade de políticas institucionais de inclusão. As práticas de compartilhamento de conhecimento são reconhecidas e valorizadas pelos participantes, mas ainda carecem de sistematização e maior adesão às ferramentas tecnológicas institucionais. A análise das redes demonstra que a implementação do Programa de Pesquisa Translacional contribuiu para o aumento da conectividade e colaboração entre os grupos, embora persistam desafios quanto à descentralização geográfica e à inclusão de unidades periféricas.
Entre o Ressentimento e o Algoritmo: A Máquina de Ódio Contra Mulheres na Política / LIINC
Evidencia-se que a lógica algorítmica das plataformas digitais, aliada à economia da atenção, potencializa a viralização desses conteúdos, aprofundando desigualdades informacionais. Contudo, o estudo também identifica formas de resistência nos ambientes digitais, especialmente por meio da atuação de coletivos feministas que constroem contra-narrativas e preservam a memória de mulheres vítimas de ataques informacionais. Conclui-se que a desinformação de gênero constitui uma ameaça estrutural à democracia e à cidadania, exigindo políticas públicas, ações educativas e novas abordagens teóricas que integrem a perspectiva de gênero no campo informacional.
O aflorar no Recife : narrativas femininas na revista O Lyrio (1902-1904)
No início do século XX, a imprensa periódica feminina constituiu um importante espaço de expressão, disseminação de informação e resistência. Ante o exposto, este estudo objetiva de forma geral: evidenciar as narrativas femininas presentes na revista O Lyrio como expressão das práticas socioculturais do Recife entre os anos de 1902 e 1904. (…) Para o tratamento dos resultados foram estabelecidas seis categorias temáticas, sendo elas: afetos e subjetividades; críticas ou resistências; educação; religião e moral; representação feminina e vida social. Por fim, esta dissertação destaca as narrativas presentes no periódico O Lyrio como forma de expressão feminina, expondo como as mulheres refletiam, dialogavam e questionavam sobre as práticas socioculturais propagadas no Recife no início do século XX, revelando traços de um sistema patriarcal e o ímpeto disruptivo dessas damas.
Diella, a primeira ministra artificial da Albânia: a armadilha da feminização da IA / The Conversation
Atribuir características artificialmente humanas e femininas às máquinas explorando reações inconscientes e automáticas a traços neoténicos (características juvenis associadas a traços femininos como olhos redondos, feições arredondadas) que evocam a inconsciência da inocência e, por consequência, a honestidade e a sinceridade.
Essa manipulação simples pode facilitar a tomada de decisões algorítmicas potencialmente problemáticas. Uma IA feminizada nos faz acreditar que ela é mais humana, mais empática, mais “confiável”. Ou, não podemos esquecer que se trata de um programa de informação, sem emoções ou consciência – o que vem a ser discutido –, pois as decisões não podem ser tendenciosas ou mesmo instrumentalizadas.
Resiliência informacional de gênero : práticas informacionais de professoras do ensino superior durante a pandemia de covid-19 / PPGCI – UFPB
Esta pesquisa contribuiu para a ampliação do conceito de resiliência informacional, a partir de uma perspectiva de gênero. Discutiu implicações sociais e informacionais da pandemia de covid-19, um fenômeno social de proporção global, na saúde e na educação, por meio da percepção de professoras de uma universidade pública no nordeste brasileiro. Ao mesmo tempo, propiciou revelar os impactos na prática docente durante o ERE, com o rompimento das fronteiras entre o espaço público e o espaço privado, já que o espaço doméstico foi invadido pela sala de aula virtual.
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