Comunicação pública da ciência e extensão universitária: importância e possibilidades no olhar de pesquisadores a partir de um estudo qualitativo / JCom
Mais do que uma via de transmissão de resultados, a Comunicação Pública da Ciência (CPC) se configura como espaço de encontro entre ciência e sociedade, onde se negociam sentidos, valores e implicações éticas [Bucchi & Trench, 2021; Rowland et al., 2024]. Em vez de compreender a interação entre os conteúdos científicos (e seus respectivos atores e instituições) e a sociedade apenas como simplificação de conteúdos, a CPC se apresenta como um campo complexo de negociação de sentidos, que envolve múltiplas formas de interação, diálogo e circulação de saberes [Bueno, 2010].
A CPC, no contexto universitário, estabelece-se como uma ação extensionista [Costa & Barbosa, 2023; Frutuoso & Silva, 2021; Romão & Silva Júnior, 2022; Sardinha & Vaz, 2017; Souza, 2024] e, nesse contexto de valorização do relacionamento entre ciência e sociedade, esse debate ecoa as reflexões de Paulo Freire [1981], quando questiona a noção de “extensão” como simples transmissão de saberes. Para Freire, o conceito de extensão se relaciona com a ideia de “estender” conhecimento, implicando o risco de uma invasão cultural, na qual o outro é reduzido à condição de recipiente passivo. Em contraposição, ele propõe a comunicação como prática libertadora, centrada no diálogo e na construção coletiva de sentidos, ou seja; no contexto universitário a CPC deve migrar de um modelo déficit (transmissão) para um modelo de engajamento (diálogo).
#ExtensãoUniversitária #DivulgaçãoCientífica
Disponível em: https://jcomal.sissa.it/article/pubid/JCOMAL_0901_2026_A04/

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