O Nobel retrata a ciência mundial? / Folha de S. Paulo

O Nobel retrata a ciência mundial? / Folha de S. Paulo

Assim, as críticas ao Nobel vão além de possíveis vieses individuais dos comitês, cujos processos de seleção são em grande parte sigilosos. Elas questionam um modelo de reconhecimento criado em um contexto histórico específico, que pode reproduzir desigualdades de gênero, raça e origem geográfica, além de privilegiar determinadas formas de produzir conhecimento.

Ao definir quais áreas e realizações merecem ser celebradas e quem deve receber o crédito por elas, o Nobel revela as hierarquias e as desigualdades que atravessam a produção científica internacional. Questionar essas limitações não significa diminuir a importância do prêmio, mas ampliar as possibilidades de um reconhecimento mais justo e representativo, refletindo a diversidade de pessoas e as contribuições que impulsionam a ciência e beneficiam a humanidade.

#Ciência

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ciencia-fundamental/2026/10/o-nobel-retrata-a-ciencia-mundial.shtml

O dia em que as máquinas começaram a investigar / Enrique Dans

O dia em que as máquinas começaram a investigar / Enrique Dans

Deveríamos considerar dar crédito àqueles que formulam boas perguntas, àqueles que gerenciam sistemas, verificam resultados e os tornam compreensíveis; e, além disso, valorizar também dados, softwares e recursos que facilitem a replicação. Uma avaliação baseada no conteúdo e nas contribuições, e não em métricas substitutas — ou melhor, métricas que já se tornaram, na prática, prostituídas. A inteligência artificial não precisa nos obrigar a abandonar a meritocracia, mas exige que repensemos suas métricas: é preciso parar de confundir mérito com a quantidade de artigos ou com o suposto prestígio do periódico em que foram publicados. Se não aproveitarmos esta oportunidade para repensar os sistemas de avaliação acadêmica, acabaremos fossilizando a pesquisa em torno de uma simples caricatura de si mesma, sustentada por métricas grotescamente exageradas.

#Ciência #IA

via Enrique Dans

Disponível em: https://www.enriquedans.com/2026/10/el-dia-en-que-las-maquinas-empezaron-a-investigar.html

Edgar Bisset-Alvarez: “Quando um projeto de humanidades digitais desaparece ao término de seu financiamento, seu destino já estava decidido desde a concepção” / Otlet

Edgar Bisset-Alvarez: “Quando um projeto de humanidades digitais desaparece ao término de seu financiamento, seu destino já estava decidido desde a concepção” / Otlet

Eu diria que, quando um projeto de Humanidades Digitais desaparece ao término de seu financiamento, seu destino já estava selado desde a fase de concepção. Os recursos costumam chegar em ciclos de cerca de cinco anos e quase nunca incluem verbas para manter, atualizar ou refazer o que foi construído — mesmo que, nesse período, a tecnologia mude consideravelmente. A alternativa que mais me convence é a do *Endings Project*, da Universidade de Victoria: pensar, desde o primeiro dia, em algo que possa ser arquivado, com poucas dependências, sites estáticos e uma boa documentação. E, antes mesmo de salvar o primeiro arquivo, é preciso reunir pesquisadores, desenvolvedores e bibliotecários para definir o que acontecerá quando o dinheiro acabar. Não é uma tarefa confortável, pois exige abrir mão daquelas plataformas fáceis de montar — que acabam gerando uma dívida técnica que ninguém paga depois —, sendo a interface, ainda hoje, o elemento mais difícil de preservar. Mas funciona: a biblioteca de Victoria conseguiu arquivar seu primeiro projeto justamente porque ele seguia esses princípios. Outra situação que conhecemos é o resgate por iniciativa pessoal. James Cummings relata que duas edições digitais — *CURSUS* e o diário de William Godwin — teriam se perdido sem a sua intervenção; da mesma forma, o *King’s Digital Lab* precisou organizar cerca de cem projetos acumulados ao longo de vinte anos. Admiro esse trabalho, mas não o classificaria como uma política.

#HumanidadesDigitais #ProjetosWeb #CiênciaAberta

via Otlet

Disponível em: https://www.revistaotlet.com/edgar-bisset-cuando-un-proyecto-de-humanidades-digitales-desaparece-al-terminar-su-financiamiento-su-suerte-ya-estaba-decidida-desde-el-diseno/

Prêmios científicos e reconhecimento  / RDBCI

Prêmios científicos e reconhecimento : análise comparativa das premiações da International Society for Scientometrics and Informetrics e da Society for Social Studies of Science / RDBCI

As premiações da ISSI tendem a enfatizar contribuições associadas à avaliação quantitativa da ciência, enquanto as da 4S valorizam a criatividade, o engajamento crítico e o pluralismo epistêmico. Os resultados também evidenciam diferenças nos padrões de equidade: enquanto a 4S apresenta maior diversificação de gênero em suas premiações principais, a ISSI reflete padrões mais tradicionais de predominância masculina. Conclusão: As premiações analisadas demonstram que as concepções de excelência científica são moldadas por culturas epistêmicas e formas de organização institucional próprias de cada sociedade. Nesse sentido, os prêmios revelam padrões específicos de mérito, prestígio e consagração, contribuindo, no campo da Ciência da Informação, para compreender como diferentes comunidades científicas estruturam seus sistemas de reconhecimento.

#Ciência

Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8683770

Pesquisa sobre câncer premiada com Nobel de Medicina há cem anos acabou refutada / Folha de S. Paulo

Pesquisa sobre câncer premiada com Nobel de Medicina há cem anos acabou refutada / Folha de S. Paulo

Uma pesquisa agraciada com o Nobel de Medicina, um século atrás, tornou-se uma das mais controversas da história. Após a láurea, o trabalho do dinamarquês Johannes Fibiger (1867-1928) tornou-se alvo de questionamentos e descobriu-se que sua conclusão estava errada. Ainda assim, na avaliação de uma pesquisadora, ainda pode ser considerado um passo importante no entendimento do câncer.

Em seus estudos, Fibiger identificou tumores no estômago de ratos e, dentro deles, encontrou vermes nematódeos, como as lombrigas em humanos, aos quais deu o nome de Spiroptera neoplastica (posteriormente reclassificados no gênero Gongylonema). (…)

No entanto, estudos publicados nas décadas de 1930 e 1950 demonstraram que as lesões observadas por Fibiger não eram cânceres malignos, mas sim metaplasias e hiperplasias benignas provocadas pela combinação da irritação do verme com uma grave deficiência de vitamina A na dieta dos ratos.

A partir de então, muitos cientistas disseram que o Nobel do dinamarquês não foi merecido. Fibiger nem pôde se defender. Morreu em janeiro de 1928.

#Ciência

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/10/pesquisa-sobre-cancer-premiada-com-nobel-de-medicina-ha-cem-anos-acabou-refutada.shtml

A IFLA endossa a definição do Conselho Internacional de Ciência sobre o direito à ciência / IFLA

A IFLA endossa a definição do Conselho Internacional de Ciência sobre o direito à ciência / IFLA

Apesar de constar na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o direito à ciência — tanto de participar dela quanto de usufruir de seus benefícios — frequentemente não recebe a mesma atenção que outros direitos. No entanto, os custos de não assegurar esse direito são significativos, não apenas no que diz respeito à capacidade dos próprios pesquisadores de realizar seu trabalho livres de pressões indevidas de governos e outros atores, mas também quanto à qualidade, acessibilidade e usabilidade dos resultados das pesquisas pela população em geral. Cortes motivados por razões políticas, proibições de abordar determinados temas, a retirada do acesso a recursos fundamentais, o bloqueio ou o corte de financiamento da cooperação internacional, a implementação incompleta do acesso aberto e o investimento insuficiente em ciência cidadã e divulgação científica — tudo isso coloca em xeque o direito à ciência.

#LiberdadeAcadêmica #IFLA #Ciência

via IFLA

Disponível em: https://www.ifla.org/news/ifla-endorses-international-science-council-definition-of-the-right-to-science/

Acesso e visibilidade científica de países africanos: um estudo sobre possíveis estratégias para a criação e implementação de políticas com foco nos países da África lusófona / PPGCI – UFSC

Acesso e visibilidade científica de países africanos: um estudo sobre possíveis estratégias para a criação e implementação de políticas com foco nos países da África lusófona / PPGCI – UFSC

Nas plataformas Scimago Journal & Country Rank, African Journals Online e Ranking Web of Universities, instituições como a Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e a Universidade de Alexandria, no Egito, lideram as classificações das melhores universidades do continente em fatores de impacto, abertura e presença em bases de dados internacionais. Semelhantemente, a Nigéria, o Quênia e o Marrocos possuem números de repositórios de acesso aberto consideráveis no Global Directory of Open Access Repositories e no Directory of Open Access Journals. Em contraste, as universidades e os periódicos de países de língua portuguesa seguem com baixa presença, e o número de periódicos e repositórios recuperados nessas bases também é reduzido. Diante disso, o estudo destaca a necessidade de que os países da África de língua portuguesa adotem estratégias e iniciativas que visem promover mais acesso às produções acadêmicas e científicas, além de incentivar a criação e a indexação de repositórios e periódicos de acesso aberto em bases de dados internacionais.

#Ciência #África #ProduçãoCientífica

Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275130

Pesquisadores apresentaram 6.000 trabalhos em um grande congresso. A IA conseguiria reproduzir suas descobertas? / Science

Pesquisadores apresentaram 6.000 trabalhos em um grande congresso. A IA conseguiria reproduzir suas descobertas? / Science

O hackathon, organizado pelas plataformas de computação e pesquisa Hugging Face e alphaXiv, propôs uma questão ambiciosa: agentes de IA podem tornar possível a verificação de trabalhos científicos em uma escala cada vez mais impossível para revisores humanos? Em outras palavras, se fornecidos os dados, o código e os métodos de um artigo, a IA pode reproduzir os experimentos de forma independente e chegar aos mesmos resultados?

A competição foi a maior tentativa até o momento de usar IA para replicar artigos apresentados em uma grande conferência técnica . Muitos dos participantes, como Tang, não são especialistas em IA por formação. Mesmo assim, eles analisaram mais de 2.000 artigos e descobriram centenas de resultados que os agentes de IA não conseguiram reproduzir ou consideraram sem respaldo em evidências, incluindo 21 dos assistentes de Tang. Até o momento, os organizadores do hackathon confirmaram que pelo menos uma dúzia de artigos contém erros reais que passaram despercebidos pelos revisores humanos da conferência.

#IA #Ciência #AvaliaçãoDaCiência

via Science

Disponível em: https://www.science.org/content/article/researchers-presented-6000-papers-major-meeting-could-ai-reproduce-their-findings

A autocitação é a forma como as áreas do conhecimento crescem / Scholarly Kitchen

A autocitação é a forma como as áreas do conhecimento crescem / Scholarly Kitchen

O arcabouço teórico desta pesquisa baseia-se no modelo de estigmergia de Grassé, de 1959, originalmente desenvolvido para explicar como as colônias de cupins constroem estruturas elaboradas sem coordenação centralizada. Os operários individuais respondem autonomamente às modificações já feitas na estrutura ao seu redor, sendo cada ato de construção um estímulo para o próximo.

O paralelo é direto. Quando os pesquisadores citam seus próprios trabalhos anteriores, estão respondendo às suas próprias construções intelectuais e se baseando em estruturas robustas o suficiente para que outros possam se engajar com elas. O cupim operário, observou Grassé, retorna ao mesmo local diversas vezes antes de se mudar para outro lugar. Os pesquisadores que mantêm o engajamento com seu próprio território intelectual estão fazendo algo estruturalmente semelhante. (…)

A desvalorização automática da autocitação na avaliação bibliométrica pode estar penalizando exatamente o tipo de trabalho original e impactante que torna as estruturas de conhecimento suficientemente duradouras para que outros possam construir sobre elas. Essa é a principal alegação que este estudo sustenta.

Nada disso, porém, justifica a autorreferência ilimitada. O uso excessivo de autocitações tem sido explorado para manipular métricas, e a literatura sobre autopromoção por meio de periódicos e cartéis de citação documenta isso claramente. A questão é que a resposta a essa preocupação, na forma de penalidades bibliométricas generalizadas, tem sido brusca, causando danos colaterais à produção acadêmica legítima.

#Autocitação #Ciência

via Scholarly Kitchen

Disponível em: https://scholarlykitchen.sspnet.org/2026/08/20/guest-post-self-citation-is-how-fields-grow/

A máquina consome a si mesma: a inteligência artificial e o fim do “publicar ou perecer” / Postdigital Science and Education

A máquina consome a si mesma: a inteligência artificial e o fim do “publicar ou perecer” / Postdigital Science and Education

Com base em Bourdieu, o artigo interpreta o meio acadêmico como um campo cuja doxa dominante é o produtivismo métrico, no qual a contagem de publicações funciona como capital simbólico. Apoiando-se em Slaughter e Leslie, Peters e Jandrić, bem como no Manifesto de Leiden, o texto demonstra como essa doxa caracteriza a lógica de mercado que coloniza a produção do conhecimento. Recorrendo a Lyotard e a Lave e Wenger, argumenta-se que a redução pós-moderna da legitimidade à performatividade é agora literalmente materializada por máquinas que participam do jogo de linguagem das publicações acadêmicas, ao passo que o caminho de aprendizado para a construção de uma identidade acadêmica está sendo rompido. Trata-se de uma crise incremental e existencial: a relação entre publicação, trabalho, julgamento e reconhecimento — sobre a qual repousa a lógica do “publicar ou perecer” — torna-se cada vez mais insustentável. O artigo conclui esboçando um modelo de bens comuns acadêmicos pós-digitais, fundamentado na contribuição, no diálogo e na prática situada. Qual é o sentido da atividade acadêmica na era das máquinas?

#PublishOrPerish #Ciência #IA #ProdutivismoAcadêmico

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s42438-026-00666-0

A nova geografia da ciência / Ciência e Cultura

A nova geografia da ciência / Ciencia e Cultura

Durante décadas, o avanço da ciência dependeu principalmente dos investimentos de governos e empresas, responsáveis por viabilizar conquistas como a exploração espacial, o sequenciamento do genoma humano e inúmeras inovações tecnológicas. Ainda assim, projetos de longo prazo, pesquisas de alto risco e ideias sem aplicação imediata frequentemente encontravam dificuldades para obter financiamento.

Mas esse cenário começou a mudar nos últimos anos. Fundações, fundos patrimoniais (endowments), organizações filantrópicas e grandes doadores passaram a investir bilhões de dólares em pesquisa, fortalecendo áreas como inteligência artificial, mudanças climáticas, biodiversidade, saúde global e ciência básica. Conhecida como filantropia científica, essa modalidade direciona recursos privados para pesquisa, infraestrutura, formação de pesquisadores e inovação. Seu principal diferencial é a flexibilidade para apoiar projetos exploratórios e de longo prazo, muitas vezes fora do alcance dos modelos tradicionais de financiamento.

via Ciência e Cultura

#Ciência #Filantropia

Disponível em: https://revistacienciaecultura.org.br/?p=10563

China desestimula publicação de estudos em revistas científicas de fora do país / Folha de S. Paulo

China desestimula publicação de estudos em revistas científicas de fora do país / Folha de S. Paulo

Artigos de autores baseados na China representaram quase um terço do total global no SCI – um banco de dados dos principais periódicos científicos internacionais – em 2024, contra 5% duas décadas antes.

Mas a ênfase em publicações indexadas no SCI também criou incentivos que alimentam má conduta acadêmica, incluindo registros de publicação inflados e artigos baseados em dados manipulados ou fabricados.

Pequim revelou nos últimos anos regras destinadas a reduzir a dominância do SCI na avaliação acadêmica, que tem sido descrita na China como “culto ao SCI”.

Em agosto passado, a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China exigiu pela primeira vez que pelo menos 20% dos artigos representativos produzidos por seus projetos financiados fossem publicados em periódicos chineses.

#Ciência #China #ScienceCitationIndex

via Folha de S. Paulo

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/07/china-desestimula-publicacao-de-estudos-em-revistas-cientificas-de-fora-do-pais.shtml