A crise de reprodutibilidade: a ciência está nos enganando? / Polytechnique Insights

A crise de reprodutibilidade: a ciência está nos enganando? / Polytechnique Insights

Em 2005, um artigo com o título sugestivo “Por que a maioria das descobertas de pesquisas publicadas é falsa” (Why Most Published Research Findings Are False), publicado na revista PLOS Medicine, desencadeou o debate. Nele, John Ioannidis avaliou a confiabilidade de estudos que utilizavam análises estatísticas para testar hipóteses — um tipo de estudo muito comum na pesquisa empírica. Com base em simulações, o pesquisador demonstrou que a probabilidade de um efeito relatado em um artigo científico ser real diminuía significativamente sob certas condições: amostras pequenas, efeitos de pequena magnitude, um grande número de hipóteses testadas, métodos não padronizados e a presença de conflitos de interesse ou intensa competição na área. Confirmação experimental contundente

Nos anos seguintes, em uma tentativa de documentar empiricamente o fenômeno, a Open Science Collaboration propôs-se a replicar 100 estudos experimentais na área de psicologia. (…)

Desde então, as conclusões de John Ioannidis foram confirmadas em diversas disciplinas. (…)

O problema, portanto, é profundo. Isso significa que devemos concluir que todo o conhecimento científico considerado definitivo nessas áreas é questionável? Digamos de forma clara e firme: não. Um efeito é considerado certo apenas quando confirmado por múltiplas linhas de evidência de alto nível, como ensaios clínicos randomizados conduzidos adequadamente ou meta-análises com alto poder estatístico. “Não há razão para duvidar da eficácia das atuais vacinas contra a Covid ou da ligação entre câncer de pulmão e tabagismo — para citar apenas alguns exemplos —, pois esses fatos foram identificados por meio de estudos convergentes em diferentes disciplinas”, observa Florian Naudet.

#Ciência #Reprodutibilidade

via Polytechnique Insights

Disponível em: https://www.polytechnique-insights.com/tribunes/science/crise-de-la-reproductibilite-la-science-nous-tromperait-elle/

Europa propõe padrões mínimos para proteger pesquisadores / Science Arena

Europa propõe padrões mínimos para proteger pesquisadores / Science Arena

A Science Europe, associação que reúne as principais organizações europeias de financiamento e execução de pesquisa, publicou um relatório com recomendações de padrões mínimos para a carreira científica no continente. O documento busca orientar como a Europa deve responder aos desafios enfrentados por pesquisadores e criar condições para a formação da próxima geração de líderes em ciência.

O documento parte de um diagnóstico preocupante: a precariedade profissional persistente no meio acadêmico europeu, marcada por contratos de curta duração, trajetórias fragmentadas e alta dependência de financiamento por projeto.

Para a Science Europe, sem reformas estruturais o continente corre o risco de evasão de cérebros e de perder competitividade em pesquisa e inovação.

#Cientistas #Ciência #BoasPráticas

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/carreiras/europa-propoe-padroes-minimos-para-proteger-pesquisadores/

Quando a ciência sai da estante / Jornal da USP

Quando a ciência sai da estante / Jornal da USP

Portanto, o que frequentemente faz a diferença não está apenas na ciência em si, mas também na eficiência das cadeias de tradução. Quando essas cadeias funcionam bem, ideias que poderiam passar despercebidas podem gerar consequências materiais de proporções consideráveis. Quando falham, mesmo as descobertas importantes permanecem incapazes de promover uma reorganização social significativa.

A pandemia de covid-19 mostrou isso de forma dramática. Nunca a humanidade produziu tanta informação científica em tão pouco tempo. Sequenciamento genético, epidemiologia, imunologia e modelagem matemática avançaram de forma extraordinária. Mas a circulação desse conhecimento encontrou sistemas sociais profundamente fragmentados.

(…) Talvez seja justamente aqui que a ciência da informação, a semiótica e os sistemas complexos se tornem fundamentais para o século 21.

#DivulgaçãoCientífica #Ciência #Universidades

via Jornal da USP

Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/marcos-buckeridge/quando-a-ciencia-sai-da-estante/

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

O que é ciência, afinal? / A Terra é redonda

A ciência que interessa ao Brasil, nunca duvidemos disso, é a ciência que interessa ao povo – e não ao agronegócio, à especulação financeira. Sob a imposição de traços culturais retrógrados – patriarcalismo, machismo – e de acordo com a orientação dos tempos pós-modernos, o país é repleto de não-saberes que (muito infelizmente) também são poderes.[iii]

Portanto, como indicado no início, é possível partir da premissa de que a ciência é um processo de investigação que segue padrões ou modelos específicos (metodologia científica), com destaque para a observação, prospecção (“experimentação”), catalogação, análise (refutação ou confirmação de postulados, teorias anteriores), em que a “massa crítica” surge com a insatisfação (incerteza) diante das afirmações predominantes, sem que se anule todas as interferências externas (não cientificas) advindas da política, da economia, da cultura, da moral e da própria visão de mundo do sujeito cognoscente sobre o objeto cognoscível (e que pode ser o mesmo sujeito, com “lugar de fala”).

#Ciência #CiênciaBrasileira

via A Terra é redonda

Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/o-que-e-ciencia-afinal/

Corpora contaminados: como a crise das retratações está sendo silenciosamente incorporada ao conhecimento científico da IA / Business Information Review

Corpora contaminados: como a crise das retratações está sendo silenciosamente incorporada ao conhecimento científico da IA / Business Information Review

Este artigo argumenta que a crise de retratação na publicação acadêmica está cada vez mais presente em grandes conjuntos de dados de treinamento de modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) por meio de acordos comerciais de licenciamento entre editoras e IA, que fornecem arquivos completos de periódicos sem filtragem de retratações. Utilizando uma abordagem conceitual-analítica, o artigo sintetiza três vertentes da literatura empírica: estudos sobre o crescimento de retratações e citações pós-retração, pesquisas que examinam as interações entre LLM e artigos retratados e acordos de licenciamento entre editoras e IA documentados (…) O estudo conclui que garantir a integridade do conhecimento científico gerado por IA requer uma governança da informação mais robusta e o envolvimento ativo de profissionais da biblioteconomia e da ciência da informação na supervisão dos conjuntos de dados de treinamento de IA.

#Ciência #ComunicaçãoCientífica #IA #Retratação

Disponível em: https://doi.org/10.1177/02663821261460796

Ciência de fronteira exige risco, mas Brasil ainda pune o fracasso / Science Arena

Ciência de fronteira exige risco, mas Brasil ainda pune o fracasso / Science Arena

Avaliadores podem rejeitar propostas que desafiam paradigmas estabelecidos, especialmente quando essas propostas cruzam fronteiras disciplinares e escapam aos critérios de avaliação tradicionais e consagrados.

O resultado é um sistema cuja estrutura muitas vezes pune o risco. As métricas de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), principal órgão de avaliação da pós-graduação no Brasil, focam em resultados rápidos e impacto mensurável. Projetos com potencial inovador, mas com mais chances de insucesso, nem sempre encontram ambiente favorável à aprovação.

#Ciência #CiênciaBrasileira

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/noticias/ciencia-de-fronteira-exige-risco-mas-brasil-ainda-pune-o-fracasso/

O espírito científico contra a certeza absoluta / Outras palavras

O espírito científico contra a certeza absoluta / Outras palavras

O espírito científico proposto e discutido em Gaston Bachelard não se constrói como um dado imediato, mas de forma profunda e em constante crescimento, não apenas como um pensamento, mas como um ato: uma ação contínua de questionamento. Trata-se da capacidade de romper com o conhecido, com o senso comum e com as ideias tão bem formuladas ao longo do tempo, propondo novas interpretações e estando aberto a elas, fugindo do dogmatismo, um dos pilares que atravancam esse processo construtivo. Nesse movimento, o já conhecido não é simplesmente abandonado, mas negado e reelaborado, num processo em que a ruptura não destrói o saber anterior, mas o engloba criticamente, deslocando-o para um novo patamar de compreensão. Essa negação, longe de ser destrutiva, é produtiva: ela funda um novo regime de inteligibilidade, no qual o erro deixa de ser um desvio e passa a ser um momento constitutivo do próprio conhecer. Tal dinâmica evidencia que o avanço do conhecimento não ocorre por acumulação, mas por descontinuidades, nas quais cada novo saber reorganiza retroativamente o que se julgava conhecido. É nesse sentido que o espírito científico se apresenta como uma espécie de pedagogia do erro, uma aprendizagem que se faz contra o próprio pensamento anterior.

#Ciência #GastonBachelard

via Outras palavras

Disponível em: https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/o-espirito-cientifico-contra-a-certeza-absoluta/

Por que a IA não consegue fazer boa ciência sem humanos? / Nature

Por que a IA não consegue fazer boa ciência sem humanos? / Nature

Os cientistas não devem permitir que uma visão negativa da IA ​​os impeça de explorar as possibilidades que a colaboração com cientistas que utilizam IA pode trazer para a pesquisa. Da mesma forma, porém, devem se elevar acima do ruído da propaganda exagerada sobre IA e defender sua própria importância — para lembrar ao público em geral, aos financiadores e aos colegas pesquisadores que a ciência ainda precisa da humanidade e que nem toda proposta de financiamento precisa incluir um projeto de IA.

Perutz iniciou seu ensaio com uma falsa dialética que também assola muitas discussões modernas sobre IA: “A pesquisa científica é a busca mais nobre da mente humana, da qual brota um fluxo incessante de descobertas benéficas, ou é uma vassoura de feiticeiro que nos ameaça com a destruição?”. Esses extremos opostos, ambos verdadeiros à sua maneira, não devem distorcer o verdadeiro potencial da IA ​​— nem obscurecer suas limitações.

via Nature

#Ciência #IA

Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01551-3

Os artigos de pesquisa em IA estão ficando cada vez melhores, e isso representa um grande problema para os cientistas / The Verge

Os artigos de pesquisa em IA estão ficando cada vez melhores, e isso representa um grande problema para os cientistas / The Verge

Os otimistas em relação à IA generativa têm grandes esperanças em sua capacidade de produzir futuros avanços científicos — acelerando descobertas , eliminando a maioria dos tipos de câncer —, mas a tecnologia está atualmente minando um dos pilares da pesquisa científica, inundando editores e revisores com um fluxo interminável de artigos. Paradoxalmente, quanto melhor a tecnologia se torna em produzir artigos competentes, pior fica a crise.

Durante a última década, o setor editorial acadêmico tem enfrentado as chamadas “fábricas de artigos”, empresas do mercado negro que produzem artigos em massa e vendem direitos de autoria para acadêmicos, médicos ou outros que esperam obter vantagem competitiva com pesquisas publicadas em seus currículos. Tem sido um jogo de gato e rato, no qual as editoras — frequentemente pressionadas pelos chamados detetives científicos, pesquisadores especializados em desvendar pesquisas fraudulentas — fecham uma vulnerabilidade apenas para que as fábricas encontrem uma nova. A IA generativa foi uma dádiva para as fábricas, ajudando-as a burlar os detectores de plágio ao criar imagens e textos totalmente novos. Ainda assim, as alucinações reveladoras da tecnologia significavam que as editoras podiam, pelo menos teoricamente, filtrar grande parte do trabalho dessas empresas. Na prática, os artigos ainda eram publicados, apenas para serem retratados quando os detetives encontravam um diagrama de um rato com genitais inexplicavelmente gigantescos rotulado como “testtomcels” ou um texto salpicado de “como um assistente de IA” que alguém se esqueceu de apagar.

Mas agora a IA evoluiu a tal ponto que consegue produzir artigos convincentes quase em larga escala, permitindo que acadêmicos desesperados por uma publicação fabriquem seus próprios trabalhos. O resultado é uma avalanche de conteúdo científico de má qualidade que ameaça inundar os processos de publicação, revisão por pares, concessão de bolsas de pesquisa e o sistema de pesquisa como o conhecemos hoje.

#Ciência #IA #PesquisaCientífica #GestãoEditorial

via The Verge

Disponível em: https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/930522/ai-research-papers-slop-peer-review-problem

A adoção acrítica da IA ​​na ciência é alarmante — precisamos urgentemente de mecanismos de controle / Nature

A adoção acrítica da IA ​​na ciência é alarmante — precisamos urgentemente de mecanismos de controle / Nature

Quais habilidades elementares pesquisadores em início de carreira devem adquirir para garantir que se tornem cientistas responsáveis, independentemente dos futuros desenvolvimentos tecnológicos? A resposta a essa pergunta varia de acordo com a disciplina. Por exemplo, alguns pesquisadores das ciências humanas estão entusiasmados com o uso de modelos de aprendizagem baseados em linguagem (LLMs) para automatizar entrevistas e a análise de dados qualitativos, enquanto outros argumentam que a leitura e a análise desses dados são cruciais para a compreensão das experiências dos participantes humanos, indo além de resumos quantitativos. Os cientistas devem promover debates abrangentes sobre o assunto agora, em vez de presumir, sem evidências, que a automatização do trabalho inicial não influenciará a expertise de futuros colegas.

Ao navegarmos por esta nova fase da produção de conhecimento, devemos lembrar que os objetivos da indústria não são os mesmos da ciência. A ciência acadêmica não se resume à produtividade; ela também busca a compreensão profunda, a exploração de soluções criativas e a formação de pensadores críticos para serem a próxima geração de pesquisadores. Chegou a hora de a comunidade científica avaliar se os produtos de IA auxiliam ou dificultam esses esforços.

#Ciência #IA #PesquisaCientífica

via Nature

O giz e o prompt: o dilema de um professor universitário de meia-idade / Jornal da USP

O giz e o prompt: o dilema de um professor universitário de meia-idade / Jornal da USP

(…) o professor Neira escreve: “O problema não está na existência da ferramenta, mas na maneira como ela interfere na relação da(o) estudante com a aprendizagem. Em si, esses recursos não são necessariamente negativos. A dificuldade surge quando deixam de funcionar como apoio à elaboração intelectual e passam a ocupar o lugar do trabalho que cabe à(ao) estudante realizar”.

Aqui me atrevo a adicionar ao texto apenas a palavra “professor”, ou seja, a dificuldade surge quando deixam de funcionar como apoio à elaboração intelectual e passam a ocupar o lugar do trabalho que cabe à(ao) estudante/professor realizar.

O futuro chegou, meus caros colegas, e não podemos mais negá-lo, cabe a nós agora seguir por este caminho de novas descobertas, aprendendo com os erros que, certamente ocorrerão nesta nova fase de nossa vida acadêmica, ou seja, a Ciência também vista à luz da inteligência artificial, e olha que quem está se comunicando com vocês é do tempo do mimeógrafo, da transparência e dos carrosséis de slides.

#Ciência #IA

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/o-giz-e-o-prompt-o-dilema-de-um-professor-universitario-de-meia-idade/

Mesmo sobre ombros de gigantes a ciência vai regredindo / SciELO

Mesmo sobre ombros de gigantes a ciência vai regredindo / SciELO

A frase popularizada por Isaac Newton nos lembra de que o conhecimento produzido não decorre exclusivamente do nosso mérito, mas também está vinculado às contribuições de pensadores, pesquisadores e orientadores (os “gigantes”) que nos acompanharam ao longo de nossa formação.

Em meio às restrições à liberdade científica e aos escândalos de fabricação, falsificação ou plágio deliberado, associados à cultura do “publish or perish” e ao uso inadequado da inteligência artificial, torna-se inevitável refletir sobre o que nos levou a essa situação obscena e insustentável.

#Ciência #PesquisaCientífica

via SciELO

Disponível em: https://blog.scielo.org/blog/2026/05/08/mesmo-sobre-ombros-de-gigantes-a-ciencia-vai-regredindo/