Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

As revistas predatórias desenvolveram inicialmente práticas relativamente diretas, notavelmente documentadas por Siler et al. na Nature (2021) . Seu objetivo: recuperar os custos de publicação publicando artigos , mas fornecendo serviços editoriais e de revisão por pares mínimos ou mesmo inexistentes .

Uma segunda geração de fraudes surgiu com “fábricas” que vendem “serviços” a pesquisadores, aproveitando-se do sistema ” Publicar ou Perecer “.

Por fim, existem também práticas editoriais que podem ser definidas como pertencentes a uma zona cinzenta . De fato, além da fraude flagrante, algumas editoras adotam estratégias comerciais preocupantes: A proliferação de edições especiais e ascenção de megaperiódicos.

#RevistasPredatórios #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://openscience.pasteur.fr/2026/06/12/les-differentes-methodes-de-predation-dans-ledition-scientifique/

Análise de anúncios de empresas que vendem artigos revela um mercado global de fraude acadêmica / Pesquisa Fapesp

Análise de anúncios de empresas que vendem artigos revela um mercado global de fraude acadêmica / Pesquisa Fapesp

Um levantamento internacional trouxe novos detalhes sobre o funcionamento das chamadas fábricas de papers, empresas fraudulentas que comercializam manuscritos científicos, muitas vezes com dados falsos ou plagiados. O estudo, o maior do gênero já realizado, está disponível no repositório ArXiv e reuniu mais de 18 mil anúncios publicados entre 2020 e 2026 em aplicativos e sites de sete dessas empresas, que operam em países como Índia, Iraque, Uzbequistão, Rússia, Letônia, Cazaquistão e Ucrânia.

Outro dado que chamou a atenção foi a diversidade dos negócios. Duas das empresas ofereciam autoria em outros tipos de publicação, como livros didáticos, bem como a inclusão de nomes em patentes e registros de direitos autorais, além do recebimento de prêmios. “A expressão fábrica de papers não abrange tudo o que está acontecendo”, disse Richardson à Nature “Penso nessas fábricas como empresas que operam no mercado de manipulação de reputação.”

#MásCondutasCientíficas #FraúdeEmPesquisaCientífica #FábricasDePapers

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/crime-organizado/

Aumento nas citações falsas é descoberto após auditoria de 2,5 milhões de artigos em ciências biomédicas / Nature

Aumento nas citações falsas é descoberto após auditoria de 2,5 milhões de artigos em ciências biomédicas / Nature

A análise de Topaz e seus colegas revelou que os artigos de revisão apresentaram uma taxa de falsificação de referências 57% maior do que outros tipos de artigo. Vinte e oito estudos clínicos e 79 revisões sistemáticas continham referências falsas. Topaz afirma que essas referências “acabarão se propagando para as diretrizes clínicas — essa é a parte mais assustadora para mim”.

Apenas 1,6% dos artigos sinalizados no estudo foram retratados ou corrigidos. Mas as retratações ocorreram por questões diferentes das citações falsas, e as correções não abordaram as referências sinalizadas.

#MásCondutasCientíficas #Retratação #CitaçãoFantasma

Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00748-w

Uma análise revela que, em 2026, um em cada 277 artigos indexados no PubMed apresenta referências falsas / Retraction Watch

Uma análise revela que, em 2026, um em cada 277 artigos indexados no PubMed apresenta referências falsas / Retraction Watch

A análise de artigos indexados no PubMed revelou que cerca de um em cada 277 artigos publicados nas primeiras sete semanas de 2026 fazia referência a um artigo inexistente. Isso representa um aumento significativo em relação à taxa de 2025, de um em cada 458, e à de 2023, de um em cada 2.828. Os pesquisadores, liderados por Maxim Topaz, do Instituto de Ciência de Dados da Universidade de Columbia, utilizaram inteligência artificial para “distinguir falsificações genuínas de discrepâncias de formatação, como títulos abreviados informalmente”.

O grupo de Topaz identificou o aumento mais acentuado de referências alucinadas em meados de 2024, o que, segundo eles, coincidiu com a ascensão das ferramentas de escrita com IA. As descobertas surgem em um momento em que a revista Nature noticiou, no mês passado, que dezenas de milhares de publicações de 2025 “podem incluir referências inválidas geradas por IA”. O Retraction Watch já recebeu diversos relatos de citações alucinadas geradas por ferramentas de escrita de artigos científicos como o ChatGPT.

#PubMed #MásCondutasCientíficas #Citação #AnáliseDeCitação #Retratação

via Retraction Watch

Disponível em: https://retractionwatch.com/2026/05/07/one-in-277-pubmed-indexed-papers-in-2026-shows-fabricated-references-says-analysis/

Retratação de artigos cresce em velocidade bem maior do que a do avanço da produção científica / Pesquisa Fapesp

Retratação de artigos cresce em velocidade bem maior do que a do avanço da produção científica / Pesquisa Fapesp

Enquanto a produção científica mundial dobra a cada 15 anos, a quantidade de artigos que sofreram retratação, ou seja, que foram considerados inválidos por erros ou má conduta, tem duplicado a cada 3,3 anos. Já o contingente de artigos suspeitos de serem produzidos por fábricas de papers, organizações fraudulentas que produzem e vendem artigos científicos falsos ou de baixa qualidade, se multiplica por dois a cada período de 18 meses.

#Retratação #ProduçãoCientífica #Ciência #MásCondutasCientíficas

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/engrenagem-fraudulenta/

Pesquisadores portugueses admitem ter incorrido em desvios éticos que não são considerados graves / Pesquisa Fapesp

Pesquisadores portugueses admitem ter incorrido em desvios éticos que não são considerados graves / Pesquisa Fapesp

Um levantamento realizado com 1.573 cientistas empregados em universidades de Portugal buscou mapear a prevalência no país de formas de má conduta consideradas de gravidade menor, as chamadas práticas questionáveis de pesquisa. O resultado foi contundente: 92% dos entrevistados admitiram ter incorrido nessas práticas pelo menos uma vez e 63% em até quatro vezes.

A maioria dos deslizes relatados estava relacionada à redação de trabalhos científicos, como “incluir autores que não contribuíram suficientemente”, “citar artigos sem consultar a fonte primária” e “não realizar uma revisão bibliográfica completa”. Também tiveram frequência elevada condutas como “formular hipóteses depois de conhecer os resultados” e “citar publicações apenas porque elas já eram reconhecidas pela comunidade científica”. Entre as menos mencionadas, de acordo com o estudo, estavam “usar a ideia de um pesquisador sem dar crédito” e “não divulgar conflitos de interesse”.

#MásCondutasCientíficas

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/praticas-questionaveis-2/

Navegando pelos conflitos de interesse na academia / Papyrus

Navegando pelos conflitos de interesse na academia / Papyrus

Reunindo os resultados de mais de uma década de pesquisa realizada na Université de Montréal, este livro oferece percepções sobre políticas e práticas de gestão de conflitos de interesse. Ele aborda as diferentes abordagens regulatórias entre instituições e enfatiza a importância não apenas de estabelecer políticas claras, mas também de promover uma cultura de consciência ética e conformidade. Estruturado em três partes — 1) Professores e Estudantes, 2) Pesquisa e Publicação, e 3) Políticas Institucionais — o livro fornece recursos práticos para atores universitários. Cada seção apresenta estudos de caso, análises conceituais e discussões de políticas para auxiliar professores e gestores seniores na identificação, avaliação e gestão eficaz de conflitos de interesse. O objetivo é oferecer ferramentas que possam ampliar a compreensão sobre conflitos de interesse e apoiar a implementação de práticas éticas na academia.

#Cientistas #ConflitoDeInteresse #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://umontreal.scholaris.ca/items/22fb6c4b-7688-414a-acec-1da8101cfa13

Citações alucinatórias estão poluindo a literatura científica. O que pode ser feito? / Nature

Citações alucinatórias estão poluindo a literatura científica. O que pode ser feito? / Nature

Erros de citação não são novidade na publicação acadêmica. “Mesmo antes da IA ​​generativa, já tínhamos muitas imprecisões nas citações”, diz Mohammad Hosseini, que estuda ética e integridade em pesquisa na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, em Chicago, Illinois. Os problemas tendem a incluir erros de ortografia nos nomes dos autores ou erros no ano de publicação, no título do periódico ou no DOI. Outro problema tem sido a discrepância entre as informações no trabalho citado e os detalhes fornecidos pelo artigo que o cita 5 , 6 .

“Agora o problema não é apenas a imprecisão, mas sim as citações falsas. Trata-se de citações fabricadas, o que é um problema completamente diferente”, afirma Hosseini.

Editoras informaram à Nature que estão observando um aumento no número de citações falsas e imprecisas em artigos submetidos e que estão tomando medidas para lidar com o problema.

#Citação #ComunicaçãoCientífica #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00969-z

Grande conferência flagra uso ilícito de IA — e rejeita centenas de artigos / Nature

Grande conferência flagra uso ilícito de IA — e rejeita centenas de artigos / Nature

Uma importante conferência sobre inteligência artificial rejeitou 497 artigos — aproximadamente 2% dos submetidos — cujos autores violaram as políticas de uso de IA em suas revisões por pares de outros artigos submetidos ao evento.

A Conferência Internacional de Aprendizado de Máquina (ICML), que será realizada em Seul em julho, adota uma política de revisão recíproca, o que significa que, salvo algumas exceções, cada artigo deve ter um autor que revise outros artigos da conferência. Autores cujas revisões violaram a política de uso de modelos de linguagem de grande escala (LLM) da conferência tiveram seus artigos rejeitados.

via Nature

#RevisãoPorPares #MásCondutasCientíficas

DIsponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00893-2

Referências inventadas / Pesquisa Fapesp

Referências inventadas / Pesquisa Fapesp

Referências bibliográficas falsas foram encontradas em um artigo do Journal of Academic Ethics, revista interdisciplinar da editora Springer Nature que tem como foco justamente questões éticas relacionadas à pesquisa. O paper, publicado em abril de 2025, foi retratado, ou seja, considerado inválido, em janeiro passado. Escrito por pesquisadores da Etiópia, o trabalho explorava as experiências de pessoas com deficiência que fizeram denúncias de irregularidades em instituições públicas de ensino da Etiópia, mostrando as barreiras que elas enfrentam nesse processo, como intimidação e medo de represálias.

#MásCondutasCientíficas #Retratação

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/referencias-inventadas/

O novo capitalismo financeiro e o avanço anticientífico / El cohetea la luna

O novo capitalismo financeiro e o avanço anticientífico / El cohetea la luna

Uma investigação do jornal El País revela a “ rede obscura ” de compras de periódicos científicos a partir de mansões na Inglaterra, com o objetivo de transformá-los em instrumentos financeiros que contribuem para a degradação do conhecimento acumulado.

Um desses muitos casos foi o de El Profesional de la Información. Com mais de três décadas de história, foi comprada por quase um milhão de euros pela editora britânica OAText, que mais tarde se tornou a Oxbridge. Em pouco mais de um ano de práticas fraudulentas, a revista foi removida do índice Web of Science. Em uma carta recente, Tomàs Baiget , editor fundador de El Profesional de la Información , observou que, após a venda da revista, ao revisar as bibliografias de vários artigos publicados, percebeu que a Oxbridge havia inserido referências que não pertenciam aos artigos originais. Mais tarde, ele percebeu que vários dos artigos publicados “eram idênticos: quase certamente foram produzidos por fábricas de papel ”. Em apenas um ano, “ o impacto foi devastador ”: editores convidados cancelaram chamadas para artigos, muitos autores retiraram seus manuscritos e o fluxo de submissões despencou. O fundo de investimento chegou, devorou, engoliu e varreu tudo em seu caminho. (…)

Embora as ciências continuem a manter uma aura de território asséptico e neutro, intocado pelos pecados mundanos, como qualquer outra prática social e coletiva, elas fazem parte do tecido social que as molda. Suas decisões, prioridades e conflitos não surgem no vácuo, mas respiram o mesmo ar da sociedade globalizada e, portanto, são terreno fértil para as práticas desse novo capital financeiro. Na mesma entrevista com Peter Hotez citada no início, o entrevistador lhe faz a seguinte pergunta: “ A postura usual da comunidade científica é manter-se publicamente neutra, especialmente em relação a questões políticas. Mas, diante da crescente onda anticientífica, o senhor acha que isso precisa mudar? ”. Ao que Hotez responde, entre outras coisas: “ Alguém que ganhou o Prêmio Nobel pelo desarmamento nuclear disse que a ideia de que a ciência é politicamente neutra foi destruída pela bomba de Hiroshima. Acho que há verdade nisso, e precisamos começar a pensar nesses termos e a falar sobre política para resolver problemas ”.

#Ciência #Capitalismo #RevistasPredatórias #Neutralidade #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://www.elcohetealaluna.com/depredar/

O complexo ecossistema dos autores hiperprolíficos / Scientometrics

O complexo ecossistema dos autores hiperprolíficos / Scientometrics

Este artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura sobre autoria hiperprolífica para examinar como ela é definida, investigada e percebida em diferentes disciplinas. Identificamos 18 artigos que abordam a autoria hiperprolífica e 79 outras contribuições que discutem comportamentos acadêmicos relacionados. Os resultados mostram que não há consenso sobre os limiares ou metodologias para identificar autores hiperprolíficos, com abordagens que variam de análises bibliométricas a avaliações qualitativas. O fenômeno é reconhecido em diversos domínios científicos, mas suas interpretações divergem, desde ser visto como um resultado natural da pesquisa colaborativa até ser enquadrado como uma anomalia estatística ou um sinal de alerta de má conduta. Suas ligações com práticas inadequadas permanecem ambíguas, moldadas por normas disciplinares, estágios de publicação e a intencionalidade dos atores. Ao situar a autoria hiperprolífica dentro de um ecossistema mais amplo de (más) condutas acadêmicas, concluímos que ela não deve ser reduzida a uma única categoria de má conduta, mas sim compreendida como um fenômeno multifacetado e dependente do contexto, com importantes implicações para a integridade e avaliação da pesquisa.

#Autoria #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05563-8