Uma empresa chamada Springer, que não é a editora, está oferecendo os direitos de autoria à venda / Retraction Watch

Uma empresa chamada Springer, que não é a editora, está oferecendo os direitos de autoria à venda / Retraction Watch

O site da Springer Journals Online ostenta uma “taxa de aceitação de 95% nos periódicos selecionados” e “mais de 500 periódicos publicados ”. Um dos depoimentos no site é atribuído ao “Dr. Aris Thorne”, notoriamente um nome fictício gerado por inteligência artificial.

Fateman respondeu: “Seu convite parece antiético – adicionar meu nome à lista de autores de uma publicação na qual não participei da redação.”

#FábricasDePapers #RevistasPredatórias

via Retraction Watch

Disponível em: https://retractionwatch.com/2026/10/12/springer-journals-online-authorship-for-sale/

Pressão por produtividade e falta de treinamento favorecem crescimento do mercado de periódicos predatórios / Jornal da USP

Pressão por produtividade e falta de treinamento favorecem crescimento do mercado de periódicos predatórios / Jornal da USP

“Seu artigo foi selecionado”, “Publicação em 48 horas”, “Submeta agora”. Se você é pesquisador, sua caixa de e-mails provavelmente está inundada por convites insistentes como esses. O que parece um reconhecimento do seu trabalho, no entanto, costuma ser o primeiro contato com um mercado em franca expansão: o dos periódicos predatórios, ou seja, aqueles que não realizam a devida revisão por pares dos artigos científicos. O fenômeno foi detalhado no mapeamento publicado em artigo no periódico internacional Scientometrics, e coincide com a chegada do engenheiro de computação Fábio Manoel França Lobato ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos.

#RevistasPredatórias

via Jornal da USP

Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/pressao-por-produtividade-e-falta-de-treinamento-favorecem-crescimento-do-mercado-de-periodicos-predatorios/

Pare de pagar editoras predatórias – Uma proposta de política para restaurar a integridade científica e a transparência /FEBS

Pare de pagar editoras predatórias – Uma proposta de política para restaurar a integridade científica e a transparência /FEBS

A publicação científica atravessa um colapso sistêmico. Milhares de periódicos cobram atualmente taxas de processamento de artigos (APCs) — pagas cada vez mais com recursos públicos de pesquisa — ao mesmo tempo em que oferecem supervisão editorial mínima. Isso compromete padrões, distorce incentivos e ameaça a confiança pública na ciência. Os pagamentos de APCs a seis grandes editoras ultrapassaram 8 bilhões de dólares entre 2019 e 2023, praticamente sem transparência sobre como essas taxas são definidas ou utilizadas. Essa situação não pode perdurar. Propomos que recursos públicos e institucionais apoiem periódicos — seja por meio de APCs, assinaturas ou acordos de pacotes — apenas quando estes forem credenciados com base em um padrão de qualidade transparente e passível de fiscalização. Implementado de forma gradual e liderado por agências de fomento e sociedades científicas, tal credenciamento reduziria o espaço de atuação de periódicos predatórios, sem recorrer a listas negras.

#RevistasPredatórias #APCs #PolíticasCientíficas

Disponível em: https://febs.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/1873-3468.70451

Periódicos predatórios: práticas científicas questionáveis? / PPGCI – UFPB

Periódicos predatórios: práticas científicas questionáveis? / PPGCI – UFPB

O uso de periódicos predatórios configura-se como um fenômeno social e informacional que se manifesta em práticas acadêmicas institucionais e que, ao ser analisado a partir de padrões e tendências identificáveis, permite evidenciar repercussões e produzir subsídios analíticos para o enfrentamento da publicação predatória. (…) Constatou-se que o uso desses periódicos não é representativo da totalidade da produção científica da instituição, mas revela um fenômeno que merece atenção institucional. O estudo buscou compreender o comportamento de uso de periódicos que não asseguram práticas editoriais éticas e transparentes. Assim, se pode inferir que o uso de periódicos predatórios e a associação de seus pesquisadores a revistas dessa natureza podem comprometer a percepção pública sobre a credibilidade da instituição e da ciência produzida. As considerações finais reforçam que o enfrentamento desse fenômeno demanda ações educativas e institucionais, mais do que punitivas.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39142

“Ciência” vendida, “ciência comprada”: uma investigação sobre a comercialização de autoria e coautoria em artigos científicos no Brasil / Research Gate

“Ciência” vendida, “ciência comprada”: uma investigação sobre a comercialização de autoria e coautoria em artigos científicos no Brasil / Research Gate

Os resultados permitem reconstruir um movimento estruturado em seis etapas processuais, da aquisição do manuscrito à reverberação pública do fenômeno, hierarquizado pela classificação Qualis e sustentado por retórica interna que distingue, sem amparo ético, “venda de autoria” de “oferta de vagas de coautoria”. Identificam-se três ordens de efeito: dano epistemológico, pela infiltração de conteúdo sem avaliação por pares efetiva em periódicos formalmente indexados; dano institucional, pela exploração dos próprios critérios oficiais de avaliação de carreira e conclusão de curso; e dano à percepção social da ciência, explicitado por reações profissionais, cobertura jornalística e iniciativa legislativa. Conclui-se que o fenômeno investigado desloca o foco analítico do periódico predatório isolado para a dinâmica processual do mercado de autoria, contribuindo à Ciência da Informação com reconstrução empírica ainda pouco sistematizada pela literatura nacional.

#FábricasDePapers #MásCondutasCientíficas #CiênciaBrasileira #RevistasPredatórias

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/413888851_Ciencia_vendida_ciencia_comprada_uma_investigacao_sobre_a_comercializacao_de_autoria_e_coautoria_em_artigos_cientificos_no_Brasil

Revistas predatórias abrem as porteiras para artigos feitos por ChatGPT / Blog do Pedlowski

Revistas predatórias abrem as porteiras para artigos feitos por ChatGPT / Blog do Pedlowski

Um artigo recém-publicado por Daniel Stockemer e Farah Fakri, da University of Ottawa, na revista científica PS: Political Science & Politics, publicada pela Cambridge University Press em nome da American Political Science Association, oferece evidências bastante incômodas sobre algo que há muito tempo se suspeita no mundo acadêmico: em muitas revistas predatórias, o que determina a publicação de um artigo parece ter muito menos relação com sua qualidade científica do que com a disposição do autor em participar do negócio editorial. (…)

Por isso, talvez a conclusão mais importante desse experimento seja que o problema das revistas predatórias não está apenas na cobrança de taxas de publicação. Existem excelentes revistas de acesso aberto que cobram APCs e realizam revisão por pares rigorosa. A característica essencial da predação está na transformação da publicação científica em uma relação essencialmente comercial, na qual os mecanismos que deveriam separar conhecimento cientificamente defensável de simples aparência de ciência deixam de funcionar.

#RevistasPredatórias #IA

Disponível em: https://blogdopedlowski.com/2026/08/31/revistas-predatorias-abrem-as-porteiras-para-artigos-feitos-por-chatgpt/

Publicação predatória no cenário acadêmico: consciência e vulnerabilidades dos pesquisadores / Scientometrics

Publicação predatória no cenário acadêmico: consciência e vulnerabilidades dos pesquisadores / Scientometrics

A publicação científica tornou-se um componente fundamental da trajetória acadêmica. O imperativo de publicar veio acompanhado do surgimento e da expansão de uma indústria que oferece um atalho potencialmente desastroso — prometendo acesso aberto e respostas extremamente rápidas —: os chamados periódicos predatórios. Apesar dos alertas sobre editoras predatórias, muitos pesquisadores ainda consideram que elas atendem aos requisitos de publicação. Dada a relevância e a atualidade das discussões sobre práticas de publicação predatória, este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos pesquisadores sobre esse fenômeno, utilizando uma combinação de métodos quantitativos e qualitativos. (…)

Os resultados da pesquisa apresentados nas Tabelas 2 e 3 sugerem que a localização geográfica no Brasil não exerce influência determinante sobre a percepção dos pesquisadores quanto ao seu preparo nessas dimensões. Esse resultado pode refletir um cenário acadêmico relativamente homogêneo no país, moldado por diretrizes, exigências e padrões de avaliação nacionais, como os estabelecidos pela CAPES e pelo CNPq.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05614-0

A cadeia alimentar das revistas predatórias / Pesquisa Fapesp

A cadeia alimentar das revistas predatórias / Pesquisa Fapesp

Talvez você queira ser creditado como o criador de um “biorreator de membrana baseado em inteligência artificial para tratamento de esgoto”. Ou, quem sabe, de um “robô humanoide com aplicações industriais”. Pois se de um lado temos revistas predatórias que aceitam artigos sem muitos critérios, do outro há fábricas de artigos científicos (as paper mills) prolíficas e com um portfólio de falcatruas cada vez mais extenso. Uma reportagem do The Guardian publicada em agosto divulgou o trabalho do matemático Reese Richardson, que localizou, entre 2020 e 2026, mais de 18 mil anúncios em redes como WhatsApp, Telegram e Facebook com propostas para inflar o currículo de cientistas.

Foram identificadas 14 diferentes categorias de produtos, que vão das conhecidas ofertas para inserir artificialmente nomes em estudos falsos até a possibilidade de entrar como detentor de uma patente — a propósito, os exemplos acima são verdadeiros. A IP Australia, órgão do governo australiano onde essas patentes foram depositadas, afirmou que está aberta a analisar suspeitas de desvios, mas que não existem evidências de que a organização vem sendo usada em larga escala para esse tipo de fraude.

#RevistasPredatórias #FábricasDePapers

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-cadeia-alimentar-das-revistas-predatorias/

Pesquisadores citam tempo e custo como motivos para recorrer a revistas predatórias / Folha de S. Paulo

Pesquisadores citam tempo e custo como motivos para recorrer a revistas predatórias / Folha de S. Paulo

A pressão para publicar, associada a concursos e financiamentos, mostrou forte associação com publicação em revistas predatórias. “A gente validou uma percepção que já aparecia na literatura, que essa pressão por publicar leva parte dos pesquisadores a optar por esses periódicos. Ela vem acompanhada também de uma falta de suporte da própria comunidade acadêmica nas universidades”, afirma Lobato.

A segunda etapa consiste em análise qualitativa, coordenada por Lobato com Solange Rezende (USP) e colegas da Ufopa e Universidade Estadual do Maranhão.

De acordo com o pesquisador, a ideia do levantamento não foi fazer um juízo de valor dos motivos que levam os cientistas a publicarem nesses periódicos, mas sim ampliar o debate para, inclusive, fomentar ações de políticas públicas sobre integridade científica.

#RevistasPredatórias

via Folha de S. Paulo

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/pesquisadores-citam-tempo-e-custo-como-motivos-para-recorrer-a-revistas-predatorias.shtml

Levantamento inédito mapeia o avanço dos periódicos predatórios no Brasil / Sobrevivendo na Ciência

Levantamento inédito mapeia o avanço dos periódicos predatórios no Brasil / Sobrevivendo na Ciência

“Seu artigo foi selecionado”, “Publicação em 48 horas”, “Submeta agora”. Se você é pesquisador, sua caixa de e-mails provavelmente está inundada por convites insistentes como esses. O que parece um reconhecimento do seu trabalho, no entanto, costuma ser o primeiro contato com um mercado em franca expansão: o dos periódicos predatórios, ou seja, aqueles que não realizam a devida revisão por pares. O fenômeno foi detalhado no mapeamento inédito que foi publicado no periódico internacional Scientometrics e coincide com a chegada do engenheiro de computação Fábio Manoel França Lobato ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. (…) O estudo aponta ainda para uma assimetria regional e estrutural. Programas de pós-graduação menores e fora dos grandes centros de excelência sofrem com a sobrecarga de trabalho dos docentes, o que sufoca o debate sobre a integridade científica. “Nós não podemos cobrar se não ensinamos. É preciso uma campanha nacional de sensibilização, envolvendo as agências de fomento”, defende o professor do ICMC, que contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

#RevistasPredatórias

via Sobrevivendo na Ciência

Disponível em: https://marcoarmello.wordpress.com/2026/07/21/comvive2026a/

Distribuição e crescimento da publicação em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias / PPGCI – UnB

Distribuição e crescimento da publicação em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias : análise da produção científica de pesquisadores vinculados a programas brasileiros de pós-graduação / PPGCI – UnB

Os resultados indicam que 4,62% dos artigos publicados em revistas no período analisado estão associados a revistas com indícios de práticas editoriais predatórias. Embora proporcionalmente reduzido, o fenômeno apresenta tendência de crescimento ao longo do período analisado, passando de 3.577 artigos em 2017 para 15.623 em 2020, um aumento de mais de 330%. A análise evidencia ainda forte concentração de publicações em um número restrito de revistas e instituições de ensino e pesquisa, bem como diferenças expressivas quando se observam os valores proporcionais entre as instituições. Enquanto algumas apresentam menos de 2% de sua produção científica publicada em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias, outras registram percentuais que ultrapassam 40%, evidenciando assimetrias no uso desses canais de publicação. Observa-se também baixa transparência nos processos editoriais de um subconjunto de revistas analisadas, especialmente no que tange aos procedimentos de avaliação por pares. Conclui-se que a presença de revistas com indícios de práticas editoriais predatórias nos programas brasileiros de pós-graduação trata-se de um fenômeno que está relacionado com diferentes fatores contextuais, como políticas de financiamento e avaliação da pesquisa.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/54847

Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

As revistas predatórias desenvolveram inicialmente práticas relativamente diretas, notavelmente documentadas por Siler et al. na Nature (2021) . Seu objetivo: recuperar os custos de publicação publicando artigos , mas fornecendo serviços editoriais e de revisão por pares mínimos ou mesmo inexistentes .

Uma segunda geração de fraudes surgiu com “fábricas” que vendem “serviços” a pesquisadores, aproveitando-se do sistema ” Publicar ou Perecer “.

Por fim, existem também práticas editoriais que podem ser definidas como pertencentes a uma zona cinzenta . De fato, além da fraude flagrante, algumas editoras adotam estratégias comerciais preocupantes: A proliferação de edições especiais e ascenção de megaperiódicos.

#RevistasPredatórios #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://openscience.pasteur.fr/2026/06/12/les-differentes-methodes-de-predation-dans-ledition-scientifique/