Revistas predatórias abrem as porteiras para artigos feitos por ChatGPT / Blog do Pedlowski

Revistas predatórias abrem as porteiras para artigos feitos por ChatGPT / Blog do Pedlowski

Um artigo recém-publicado por Daniel Stockemer e Farah Fakri, da University of Ottawa, na revista científica PS: Political Science & Politics, publicada pela Cambridge University Press em nome da American Political Science Association, oferece evidências bastante incômodas sobre algo que há muito tempo se suspeita no mundo acadêmico: em muitas revistas predatórias, o que determina a publicação de um artigo parece ter muito menos relação com sua qualidade científica do que com a disposição do autor em participar do negócio editorial. (…)

Por isso, talvez a conclusão mais importante desse experimento seja que o problema das revistas predatórias não está apenas na cobrança de taxas de publicação. Existem excelentes revistas de acesso aberto que cobram APCs e realizam revisão por pares rigorosa. A característica essencial da predação está na transformação da publicação científica em uma relação essencialmente comercial, na qual os mecanismos que deveriam separar conhecimento cientificamente defensável de simples aparência de ciência deixam de funcionar.

#RevistasPredatórias #IA

Disponível em: https://blogdopedlowski.com/2026/08/31/revistas-predatorias-abrem-as-porteiras-para-artigos-feitos-por-chatgpt/

Publicação predatória no cenário acadêmico: consciência e vulnerabilidades dos pesquisadores / Scientometrics

Publicação predatória no cenário acadêmico: consciência e vulnerabilidades dos pesquisadores / Scientometrics

A publicação científica tornou-se um componente fundamental da trajetória acadêmica. O imperativo de publicar veio acompanhado do surgimento e da expansão de uma indústria que oferece um atalho potencialmente desastroso — prometendo acesso aberto e respostas extremamente rápidas —: os chamados periódicos predatórios. Apesar dos alertas sobre editoras predatórias, muitos pesquisadores ainda consideram que elas atendem aos requisitos de publicação. Dada a relevância e a atualidade das discussões sobre práticas de publicação predatória, este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos pesquisadores sobre esse fenômeno, utilizando uma combinação de métodos quantitativos e qualitativos. (…)

Os resultados da pesquisa apresentados nas Tabelas 2 e 3 sugerem que a localização geográfica no Brasil não exerce influência determinante sobre a percepção dos pesquisadores quanto ao seu preparo nessas dimensões. Esse resultado pode refletir um cenário acadêmico relativamente homogêneo no país, moldado por diretrizes, exigências e padrões de avaliação nacionais, como os estabelecidos pela CAPES e pelo CNPq.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05614-0

A cadeia alimentar das revistas predatórias / Pesquisa Fapesp

A cadeia alimentar das revistas predatórias / Pesquisa Fapesp

Talvez você queira ser creditado como o criador de um “biorreator de membrana baseado em inteligência artificial para tratamento de esgoto”. Ou, quem sabe, de um “robô humanoide com aplicações industriais”. Pois se de um lado temos revistas predatórias que aceitam artigos sem muitos critérios, do outro há fábricas de artigos científicos (as paper mills) prolíficas e com um portfólio de falcatruas cada vez mais extenso. Uma reportagem do The Guardian publicada em agosto divulgou o trabalho do matemático Reese Richardson, que localizou, entre 2020 e 2026, mais de 18 mil anúncios em redes como WhatsApp, Telegram e Facebook com propostas para inflar o currículo de cientistas.

Foram identificadas 14 diferentes categorias de produtos, que vão das conhecidas ofertas para inserir artificialmente nomes em estudos falsos até a possibilidade de entrar como detentor de uma patente — a propósito, os exemplos acima são verdadeiros. A IP Australia, órgão do governo australiano onde essas patentes foram depositadas, afirmou que está aberta a analisar suspeitas de desvios, mas que não existem evidências de que a organização vem sendo usada em larga escala para esse tipo de fraude.

#RevistasPredatórias #FábricasDePapers

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-cadeia-alimentar-das-revistas-predatorias/

Pesquisadores citam tempo e custo como motivos para recorrer a revistas predatórias / Folha de S. Paulo

Pesquisadores citam tempo e custo como motivos para recorrer a revistas predatórias / Folha de S. Paulo

A pressão para publicar, associada a concursos e financiamentos, mostrou forte associação com publicação em revistas predatórias. “A gente validou uma percepção que já aparecia na literatura, que essa pressão por publicar leva parte dos pesquisadores a optar por esses periódicos. Ela vem acompanhada também de uma falta de suporte da própria comunidade acadêmica nas universidades”, afirma Lobato.

A segunda etapa consiste em análise qualitativa, coordenada por Lobato com Solange Rezende (USP) e colegas da Ufopa e Universidade Estadual do Maranhão.

De acordo com o pesquisador, a ideia do levantamento não foi fazer um juízo de valor dos motivos que levam os cientistas a publicarem nesses periódicos, mas sim ampliar o debate para, inclusive, fomentar ações de políticas públicas sobre integridade científica.

#RevistasPredatórias

via Folha de S. Paulo

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/pesquisadores-citam-tempo-e-custo-como-motivos-para-recorrer-a-revistas-predatorias.shtml

Levantamento inédito mapeia o avanço dos periódicos predatórios no Brasil / Sobrevivendo na Ciência

Levantamento inédito mapeia o avanço dos periódicos predatórios no Brasil / Sobrevivendo na Ciência

“Seu artigo foi selecionado”, “Publicação em 48 horas”, “Submeta agora”. Se você é pesquisador, sua caixa de e-mails provavelmente está inundada por convites insistentes como esses. O que parece um reconhecimento do seu trabalho, no entanto, costuma ser o primeiro contato com um mercado em franca expansão: o dos periódicos predatórios, ou seja, aqueles que não realizam a devida revisão por pares. O fenômeno foi detalhado no mapeamento inédito que foi publicado no periódico internacional Scientometrics e coincide com a chegada do engenheiro de computação Fábio Manoel França Lobato ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. (…) O estudo aponta ainda para uma assimetria regional e estrutural. Programas de pós-graduação menores e fora dos grandes centros de excelência sofrem com a sobrecarga de trabalho dos docentes, o que sufoca o debate sobre a integridade científica. “Nós não podemos cobrar se não ensinamos. É preciso uma campanha nacional de sensibilização, envolvendo as agências de fomento”, defende o professor do ICMC, que contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

#RevistasPredatórias

via Sobrevivendo na Ciência

Disponível em: https://marcoarmello.wordpress.com/2026/07/21/comvive2026a/

Distribuição e crescimento da publicação em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias / PPGCI – UnB

Distribuição e crescimento da publicação em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias : análise da produção científica de pesquisadores vinculados a programas brasileiros de pós-graduação / PPGCI – UnB

Os resultados indicam que 4,62% dos artigos publicados em revistas no período analisado estão associados a revistas com indícios de práticas editoriais predatórias. Embora proporcionalmente reduzido, o fenômeno apresenta tendência de crescimento ao longo do período analisado, passando de 3.577 artigos em 2017 para 15.623 em 2020, um aumento de mais de 330%. A análise evidencia ainda forte concentração de publicações em um número restrito de revistas e instituições de ensino e pesquisa, bem como diferenças expressivas quando se observam os valores proporcionais entre as instituições. Enquanto algumas apresentam menos de 2% de sua produção científica publicada em revistas com indícios de práticas editoriais predatórias, outras registram percentuais que ultrapassam 40%, evidenciando assimetrias no uso desses canais de publicação. Observa-se também baixa transparência nos processos editoriais de um subconjunto de revistas analisadas, especialmente no que tange aos procedimentos de avaliação por pares. Conclui-se que a presença de revistas com indícios de práticas editoriais predatórias nos programas brasileiros de pós-graduação trata-se de um fenômeno que está relacionado com diferentes fatores contextuais, como políticas de financiamento e avaliação da pesquisa.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/54847

Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

Os diferentes métodos de predação na publicação científica / Institut Pasteur

As revistas predatórias desenvolveram inicialmente práticas relativamente diretas, notavelmente documentadas por Siler et al. na Nature (2021) . Seu objetivo: recuperar os custos de publicação publicando artigos , mas fornecendo serviços editoriais e de revisão por pares mínimos ou mesmo inexistentes .

Uma segunda geração de fraudes surgiu com “fábricas” que vendem “serviços” a pesquisadores, aproveitando-se do sistema ” Publicar ou Perecer “.

Por fim, existem também práticas editoriais que podem ser definidas como pertencentes a uma zona cinzenta . De fato, além da fraude flagrante, algumas editoras adotam estratégias comerciais preocupantes: A proliferação de edições especiais e ascenção de megaperiódicos.

#RevistasPredatórios #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://openscience.pasteur.fr/2026/06/12/les-differentes-methodes-de-predation-dans-ledition-scientifique/

Revistas predatórias exploram pressão por publicação entre pesquisadores brasileiros / Science Arenas

Revistas predatórias exploram pressão por publicação entre pesquisadores brasileiros / Science Arenas

As revistas predatórias se aproveitam dessa estrutura ao oferecer acesso aberto, retorno rápido e pontuação no Qualis, roupagem científica que oculta processos editoriais deficientes ou inexistentes.

Um estudo publicado em abril de 2026 na revista Scientometrics buscou mapear esse fenômeno de forma sistemática no Brasil. O trabalho, que seus autores descrevem como o mais abrangente já conduzido sobre o tema no país, avaliou a percepção de pesquisadores brasileiros sobre revistas predatórias a partir de três eixos:

– Motivações para publicar nesses periódicos;
– Padrão de conhecimento sobre o fenômeno por região;
– Relação entre experiência internacional e preparo para identificar publicações suspeitas.

#RevistasPredatórias

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/noticias/revistas-predatorias-exploram-pressao-por-publicacao-entre-pesquisadores-brasileiros/

Como não cair na armadilha das editoras predatórias: lições para pesquisadores em início de carreira / Infolib

Como não cair na armadilha das editoras predatórias: lições para pesquisadores em início de carreira / Infolib

A partir da síntese da literatura e de estudos de caso, emergem várias lições importantes para pesquisadores em início de carreira:

1. Qualidade em vez de quantidade: É melhor publicar menos artigos em periódicos conceituados do que muitos em publicações predatórias.

2. Busque mentoria: A orientação de supervisores, bibliotecários ou colegas mais experientes pode ajudar na avaliação de periódicos.

3. Invista em conscientização: Participar de workshops sobre comunicação acadêmica aumenta a resiliência contra táticas predatórias.

4. Utilize recursos institucionais: Muitas universidades oferecem módulos de treinamento e acesso a bases de dados legítimas de avaliação de periódicos.

#RevistasPredatórias

Disponível em: https://www.einfolib.uz/post/not-falling-into-the-trap-of-predatory-publishers-lessons-for-early-career-researchers

Compass to Publish

Compass to Publish

Você suspeita da autenticidade de um periódico? Será que é um periódico predatório? Essas são perguntas legítimas se você for convidado a submeter um artigo que:

– prometa publicação rápida;
– apresente procedimentos e/ou políticas que pareçam suspeitos;
– esteja fora de sua(s) área(s) de especialização.

#RevistasPredatórias #FerramentasOnline

Disponível em: https://services.lib.uliege.be/compass-to-publish/

O novo capitalismo financeiro e o avanço anticientífico / El cohetea la luna

O novo capitalismo financeiro e o avanço anticientífico / El cohetea la luna

Uma investigação do jornal El País revela a “ rede obscura ” de compras de periódicos científicos a partir de mansões na Inglaterra, com o objetivo de transformá-los em instrumentos financeiros que contribuem para a degradação do conhecimento acumulado.

Um desses muitos casos foi o de El Profesional de la Información. Com mais de três décadas de história, foi comprada por quase um milhão de euros pela editora britânica OAText, que mais tarde se tornou a Oxbridge. Em pouco mais de um ano de práticas fraudulentas, a revista foi removida do índice Web of Science. Em uma carta recente, Tomàs Baiget , editor fundador de El Profesional de la Información , observou que, após a venda da revista, ao revisar as bibliografias de vários artigos publicados, percebeu que a Oxbridge havia inserido referências que não pertenciam aos artigos originais. Mais tarde, ele percebeu que vários dos artigos publicados “eram idênticos: quase certamente foram produzidos por fábricas de papel ”. Em apenas um ano, “ o impacto foi devastador ”: editores convidados cancelaram chamadas para artigos, muitos autores retiraram seus manuscritos e o fluxo de submissões despencou. O fundo de investimento chegou, devorou, engoliu e varreu tudo em seu caminho. (…)

Embora as ciências continuem a manter uma aura de território asséptico e neutro, intocado pelos pecados mundanos, como qualquer outra prática social e coletiva, elas fazem parte do tecido social que as molda. Suas decisões, prioridades e conflitos não surgem no vácuo, mas respiram o mesmo ar da sociedade globalizada e, portanto, são terreno fértil para as práticas desse novo capital financeiro. Na mesma entrevista com Peter Hotez citada no início, o entrevistador lhe faz a seguinte pergunta: “ A postura usual da comunidade científica é manter-se publicamente neutra, especialmente em relação a questões políticas. Mas, diante da crescente onda anticientífica, o senhor acha que isso precisa mudar? ”. Ao que Hotez responde, entre outras coisas: “ Alguém que ganhou o Prêmio Nobel pelo desarmamento nuclear disse que a ideia de que a ciência é politicamente neutra foi destruída pela bomba de Hiroshima. Acho que há verdade nisso, e precisamos começar a pensar nesses termos e a falar sobre política para resolver problemas ”.

#Ciência #Capitalismo #RevistasPredatórias #Neutralidade #MásCondutasCientíficas

Disponível em: https://www.elcohetealaluna.com/depredar/

Revistas predatórias: um fenômeno global que afeta a comunidade científica de forma desigual / Open Science

Revistas predatórias: um fenômeno global que afeta a comunidade científica de forma desigual / Open Science

Em dezembro passado, três pesquisadores — Kyle Siler, Philippe Vincent-Lamarre e Vincent Larivière — publicaram um estudo no servidor de pré-publicações SocArXiv, com o objetivo de mapear as práticas de publicação em periódicos científicos duvidosos em todo o mundo. O estudo revela que pesquisadores de países em desenvolvimento publicam proporcionalmente mais em editoras predatórias, mas que são os países ricos que financiam esse mercado.

Para realizar este estudo, os autores utilizaram o Lacuna, um banco de dados que haviam iniciado em 2021 para um estudo anterior publicado na Nature. Esse recurso reúne quase 910.000 artigos publicados até 2020 por editoras provavelmente predatórias (Austin, MedCrave, OMICS, SciencePG, SCIRP e Serials) ou editoras de “zona cinzenta” (Frontiers, Hindawi, MDPI e Academic Journals), além de, para comparação, 54 milhões de artigos “convencionais” indexados na Web of Science entre 2008 e 2020.

#RevistasPredatórias

via Open Science

DIsponível em: https://openscience.pasteur.fr/2026/02/12/les-revues-predatrices-un-phenomene-mondial-qui-touche-inegalement-la-communaute-scientifique/