Linguagem e construção do conhecimento acadêmico / Jornal da Universidade

Linguagem e construção do conhecimento acadêmico / Jornal da Universidade

Iniciar-se num campo do conhecimento requer, assim, dominar a dinâmica dos códigos, numa espécie de “alfabetização continuada obrigatória (ou necessária)”. Isso significa que a alfabetização é mais do que saber um conjunto de signos; é, antes, adentrar gradualmente em processos de significação que se constituem com a produção do pensamento – em atos de fala, na identificação de objetos, enfim, nos registros de pesquisa –, afinal, a pesquisa é, também, um texto, um assentamento.

#Linguagem #Ciência

via Jornal da Universidade

Disponível em: https://www.ufrgs.br/jornal/linguagem-e-construcao-do-conhecimento-academico/

As ferramentas de inteligência artificial ampliam o impacto dos cientistas, mas restringem o foco da ciência / Nature

As ferramentas de inteligência artificial ampliam o impacto dos cientistas, mas restringem o foco da ciência / Nature

Cientistas que se envolvem em pesquisas com auxílio de IA publicam 3,02 vezes mais artigos, recebem 4,84 vezes mais citações e se tornam líderes de projetos de pesquisa 1,37 anos mais cedo do que aqueles que não utilizam IA. Em contrapartida, a adoção da IA ​​reduz o volume coletivo de tópicos científicos estudados em 4,63% e diminui o engajamento entre os cientistas em 22%. Consequentemente, a adoção da IA ​​na ciência apresenta o que parece ser um paradoxo: uma expansão do impacto individual dos cientistas, mas uma contração no alcance coletivo da ciência, à medida que o trabalho com auxílio de IA se desloca coletivamente para áreas com maior disponibilidade de dados. Com o menor engajamento subsequente, as ferramentas de IA parecem automatizar campos já estabelecidos em vez de explorar novos, evidenciando uma tensão entre o avanço pessoal e o progresso científico coletivo.

#IA #Ciência #EscritaCientífica

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-025-09922-y

 Quando o conhecimento vira linguagem: ciência, cultura e artes em movimento / Jornal da Ciência

 Quando o conhecimento vira linguagem: ciência, cultura e artes em movimento / Jornal da Ciência

Há momentos em que um país se reconhece no espelho do mundo. O recente destaque do Brasil no Globo de Ouro é um desses instantes raros em que a arte brasileira com suas narrativas densas, personagens complexos e memórias compartilhadas atravessa fronteiras e reafirma sua potência universal. Filmes como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, Central do Brasil, Cidade de Deus e Bacurau sinalizam, cada um a seu modo, que contar nossas histórias é também produzir conhecimento sobre quem somos e sobre o que insistimos em lembrar.

(…) Celebrar conquistas internacionais é importante. Mas temos um desafio muito maior: assegurar condições para que ciência, cultura e artes floresçam de forma contínua, diversa e democrática. Isso exige políticas públicas consistentes, financiamento estável, liberdade acadêmica e reconhecimento da cultura como dimensão estratégica do desenvolvimento. Cabe a todos nós, instituições, pesquisadores, artistas e sociedade, sustentar esse projeto coletivo, porque ciência, cultura e artes não são luxo: são condição de democracia, soberania e futuro para o Brasil.

#Ciência #Arte

via Jornal da Ciência

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-quando-o-conhecimento-vira-linguagem-ciencia-cultura-e-artes-em-movimento/

Viés de gênero nas práticas de revisão por pares e citação: implicações para a avaliação da pesquisa / Journal of Informetrics

Viés de gênero nas práticas de revisão por pares e citação: implicações para a avaliação da pesquisa / Journal of Informetrics

– Analisamos os trabalhos de pesquisa submetidos ao primeiro processo de avaliação italiano entre 2001 e 2003.
– Artigos de autoria feminina recebem notas mais baixas na avaliação por pares e menos citações.
– A avaliação por pares demonstra um viés de gênero mais acentuado do que a avaliação baseada em citações.
– As disparidades de gênero persistem ao longo dos períodos de citação, apesar dos efeitos a longo prazo.
– Os resultados contribuem para a formulação de políticas que promovam a equidade na avaliação da pesquisa.

#DesigualdadeDeGênero #Ciência

via Journal of Informetrics

Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.joi.2025.101762

A IA como curadora do saber acadêmico e o risco da superficialidade / Jornal da USP

A IA como curadora do saber acadêmico e o risco da superficialidade / Jornal da USP

A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de coocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.

#IA #Ciência

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-ia-como-curadora-do-saber-academico-e-o-risco-da-superficialidade/

A Ascensão Histórica da China ao Topo da Escada Científica / Quincy

A Ascensão Histórica da China ao Topo da Escada Científica / Quincy

Durante décadas, cientistas e formuladores de políticas ocidentais descartaram o boom de pesquisa da China como uma questão de quantidade em detrimento da qualidade. Esses tempos acabaram. Em 2024, a China alcançou o que parecia impossível há poucos anos, ultrapassando os Estados Unidos em número de publicações nos periódicos científicos mais prestigiados do mundo. À medida que a China se consolida como líder mundial em inovação científica, as implicações para a política dos EUA são profundas. Os Estados Unidos não podem mais esperar impedir esse desenvolvimento por meio de uma política isolacionista de rompimento da colaboração científica com a China. Em vez disso, o potencial de inovação dos EUA a longo prazo dependerá da renovação de nossas próprias capacidades científicas e da manutenção do contato com a vanguarda científica global.

#China #Ciência

via Quincy

Disponível em: https://quincyinst.org/research/chinas-historic-rise-to-the-top-of-the-scientific-ladder/#

Existe mesmo uma crise de confiança na ciência? / Science Arena

Existe mesmo uma crise de confiança na ciência? / Science Arena

Se a confiança nos cientistas permanece alta, por que persiste a sensação de distanciamento entre ciência e sociedade? Horton identifica um ponto sensível revelado no estudo do Pew Research Center: apenas 45% dos americanos consideram os cientistas bons comunicadores — uma queda significativa em relação a 2019.

É neste ponto que o editorial assinado por Horton muda de tom e passa a discutir a urgência de repensar como a ciência se comunica. Inspirado pelo livro “In a Flight of Starlings” (Penguin Press, 2023), escrito pelo físico italiano e Nobel Giorgio Parisi, Horton argumenta que comunicar resultados não é o suficiente. Giorgio Parisi propõe algo mais ambicioso: mostrar o processo científico, com suas incertezas, impasses e surpresas.

#Ciência #DivulgaçãoCientífica

via Science Arena

Disponível em: https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/

A importância de preservar os blogs acadêmicos / LSE

A importância de preservar os blogs acadêmicos / LSE

O risco de perda de dados e a falta de infraestruturas sustentáveis ​​também se aplicam aos blogs acadêmicos. Os blogs acadêmicos servem como meio de disseminação de conhecimento acadêmico tanto dentro quanto fora da comunidade acadêmica. Comparados aos formatos tradicionais de publicação científica (como livros e periódicos), os blogs acadêmicos oferecem um meio de comunicação mais acessível, barato, rápido, aberto e informal tanto para autores quanto para leitores. Embora as infraestruturas de informação digital já estejam estabelecidas há muito tempo para as formas tradicionais de produção acadêmica, garantindo sua acessibilidade permanente, infraestruturas equivalentes não foram desenvolvidas para blogs. Considerando a fragilidade do conteúdo online, essa lacuna infraestrutural representa um risco de perda significativa de informações. Por fim, garantir a acessibilidade a longo prazo da produção científica também é importante para manter as boas práticas científicas.

Dos 866 blogs acadêmicos alemães analisados, 53% permanecem ativos, mas muitos deles têm uma vida útil de apenas dois anos.

#Blogs #Ciência #DivulgaçãoCientífica #PreservaçãoDigital

via LSE

Disponível em: https://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2025/11/18/the-case-for-preserving-scholarly-blogs/

A defesa da visão das bibliotecas como infraestruturas de pesquisa / Knowledge Rights 21

A defesa da visão das bibliotecas como infraestruturas de pesquisa / Knowledge Rights 21

O artigo “Knowledge Rights 21” defende que as bibliotecas de pesquisa devem ser reconhecidas como infraestruturas fundamentais para a ciência, para além do seu papel tradicional como repositórios de livros. Segundo o artigo, uma infraestrutura de pesquisa inclui recursos e serviços — tanto físicos como digitais — que permitem a produção de novos conhecimentos, desde equipamentos técnicos a coleções de dados e serviços especializados.

#Bibliotecas #EscritóriosDeComunicaçãoCientífica #Ciência

via Knowledge Rights 21

Disponível em: https://www.knowledgerights21.org/news-story/libraries-as-research-infrastructures/

Pesquisador do Futuro: um relatório Elsevier sobre a confiança na pesquisa / ABCD-USP

Pesquisador do Futuro: um relatório Elsevier sobre a confiança na pesquisa / ABCD-USP

De acordo com a Elsevier, o ritmo das descobertas científicas está se acelerando e o cenário da pesquisa está evoluindo rapidamente. Os avanços em inteligência artificial (IA), biotecnologia, sistemas quânticos e outros campos de vanguarda estão redefinindo o que é possível, enquanto a mudança nas prioridades da sociedade, as pressões econômicas e as demandas políticas estão remodelando a forma como a pesquisa é financiada, conduzida e avaliada.

Apenas 45% concordam que têm tempo suficiente para pesquisa.

– Apenas 33% esperam que o financiamento em sua área aumente nos próximos dois a três anos, sendo o otimismo mais baixo na América do Norte e na Europa.
– 68% afirmam que a pressão para publicar suas pesquisas é maior do que há dois ou três anos.
– 74% afirmam que a pesquisa revisada por pares é confiável e consideram a revisão por pares importante para a integridade da pesquisa, para construir confiança e ampliar o impacto.
Pesquisadores adotam IA rapidamente, mas precisam de apoio.

#Cientistas #Ciência #IA #IntegridadeEmPesquisa

Disponível em: https://www.abcd.usp.br/informa/relatorio-elsevier-pesquisador-do-futuro/

Os filmes de ficção científica que os físicos adoram assistir — de Interestelar a Homem-Aranha / Nature

Os filmes de ficção científica que os físicos adoram assistir — de Interestelar a Homem-Aranha / Nature

A Nature entrevistou uma multidão de físicos este ano em comemoração ao centenário da mecânica quântica. Embora muitos deles discordem veementemente sobre como a teoria centenária descreve a realidade, algo em que parecem concordar são seus filmes de ficção científica favoritos. Ao longo de várias entrevistas, dois filmes foram consistentemente destacados por suas representações da ciência: Interestelar, de 2014, e O Grande Truque, de 2006 — ambos dirigidos e coescritos por Christopher Nolan.

#ListaDeFilmes #Ciência

via Nature

Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-025-03440-7

O peso da desigualdade / Pesquisa Fapesp

O peso da desigualdade / Pesquisa Fapesp

Estudo publicado na revista PLOS Biology por um grupo internacional de pesquisadores mostrou como o gênero, o idioma e a origem econômica dos cientistas afetam, de forma combinada, sua capacidade de publicar trabalhos científicos. Ser mulher está associado a uma redução de até 45% no número de papers publicados em inglês na comparação com os homens. Já o efeito cumulativo de ser mulher, não falante nativa de inglês e de viver em um país de baixa renda leva a uma redução de até 70% na produção científica, em comparação aos homens falantes nativos de inglês de nações de alta renda.

“As mulheres recebem menos citações, ganham menos bolsas e têm menor probabilidade de se envolver em colaborações do que os homens. Elas também são mais propensas a interromper a carreira para cuidar de crianças”, escreveu o primeiro autor do estudo, o biólogo japonês Tatsuya Amano, pesquisador do Centro de Ciências de Biodiversidade e Conservação da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália, em texto publicado no site The Wire.

via Pesquisa Fapesp

Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-peso-da-desigualdade/