A autocitação é a forma como as áreas do conhecimento crescem / Scholarly Kitchen
O arcabouço teórico desta pesquisa baseia-se no modelo de estigmergia de Grassé, de 1959, originalmente desenvolvido para explicar como as colônias de cupins constroem estruturas elaboradas sem coordenação centralizada. Os operários individuais respondem autonomamente às modificações já feitas na estrutura ao seu redor, sendo cada ato de construção um estímulo para o próximo.
O paralelo é direto. Quando os pesquisadores citam seus próprios trabalhos anteriores, estão respondendo às suas próprias construções intelectuais e se baseando em estruturas robustas o suficiente para que outros possam se engajar com elas. O cupim operário, observou Grassé, retorna ao mesmo local diversas vezes antes de se mudar para outro lugar. Os pesquisadores que mantêm o engajamento com seu próprio território intelectual estão fazendo algo estruturalmente semelhante. (…)
A desvalorização automática da autocitação na avaliação bibliométrica pode estar penalizando exatamente o tipo de trabalho original e impactante que torna as estruturas de conhecimento suficientemente duradouras para que outros possam construir sobre elas. Essa é a principal alegação que este estudo sustenta.
Nada disso, porém, justifica a autorreferência ilimitada. O uso excessivo de autocitações tem sido explorado para manipular métricas, e a literatura sobre autopromoção por meio de periódicos e cartéis de citação documenta isso claramente. A questão é que a resposta a essa preocupação, na forma de penalidades bibliométricas generalizadas, tem sido brusca, causando danos colaterais à produção acadêmica legítima.
#Autocitação #Ciência
via Scholarly Kitchen
Disponível em: https://scholarlykitchen.sspnet.org/2026/08/20/guest-post-self-citation-is-how-fields-grow/

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