Orçamento de CT&I na LOA 2026: recomposição parcial, equilíbrio necessário e o futuro do sistema científico brasileiro / Jornal da Ciência
O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) alcança R$ 15,195 bilhões em 2026, com crescimento nominal de 10,76% em relação ao ano anterior. Trata-se de um avanço relevante, sobretudo após anos de compressão orçamentária. Contudo, esse aumento ocorre em ambiente de forte restrição fiscal e não se traduz automaticamente em ampliação da capacidade operacional do sistema científico. A questão central, portanto, não é apenas o volume de recursos, mas sua qualidade, estabilidade e coerência com as prioridades estratégicas nacionais.
Destaca-se a expansão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que atinge cerca de R$ 17,7 bilhões, consolidando-se como principal instrumento de financiamento da CT&I. O fortalecimento do fundo representa uma conquista institucional importante e sinaliza o reconhecimento do papel estruturante da ciência e da inovação para o desenvolvimento do País.
Entretanto, a dinâmica orçamentária revela um desequilíbrio relevante. O crescimento dos instrumentos vinculados convive com a compressão do orçamento discricionário — responsável por sustentar as Unidades de Pesquisa, as agências de fomento e as atividades científicas permanentes. Esse descompasso ajuda a explicar por que a recomposição agregada do orçamento não se traduz, necessariamente, em fortalecimento estrutural do sistema científico.
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via Jornal da Ciência
