A universidade do adoecimento: quando a produção do conhecimento passa a consumir seus próprios trabalhadores / blog do Pędłowski
A pesquisa também evidencia um fenômeno frequentemente negligenciado nos debates sobre ensino superior: o endividamento crescente dos docentes. Os dados divulgados em algumas instituições, como a UERJ, revelam percentuais expressivos de professores convivendo com financiamentos, empréstimos e dívidas. A combinação entre perdas salariais acumuladas, aumento do custo de vida e deterioração das carreiras públicas ajuda a explicar por que um setor historicamente associado à estabilidade econômica passou a enfrentar inseguranças típicas de segmentos cada vez mais precarizados da classe trabalhadora.
O caso brasileiro não pode ser analisado isoladamente. Em diversas partes do mundo observa-se a expansão de modelos de gestão universitária inspirados em práticas empresariais. Métricas de produtividade, competição por financiamentos, ranqueamentos institucionais e sistemas permanentes de avaliação passaram a orientar a vida acadêmica. Nesse ambiente, o conhecimento tende a ser tratado como mercadoria, enquanto docentes são pressionados a ampliar continuamente sua produção sob condições cada vez mais adversas.
#Professores #Saúde
via blog do Pędłowski

Deixe uma resposta