Destruindo livros para construir uma mente artificial / The New Yorker
No início de 2026, diversos livreiros de obras usadas dos Estados Unidos e do Canadá começaram a receber pedidos em massa de livros raros, especializados e de baixa demanda. Eram títulos sobre arquitetura, direito, história, ciências sociais, literatura ou até mesmo temas muito específicos, como o tratamento de águas residuais. Os pedidos vinham, por vezes, de sociedades de responsabilidade limitada com nomes pouco conhecidos, o que despertou a curiosidade dos vendedores. Uma investigação permitiu vincular parte dessas compras à Anthropic, a empresa responsável pelo Claude. Documentos judiciais revelados posteriormente revelaram a existência do *Project Panama*, uma iniciativa cujo objetivo era adquirir enormes quantidades de livros impressos para convertê-los em dados digitais destinados ao treinamento de modelos de IA.
A particularidade do procedimento é que se tratava de uma digitalização destrutiva. Os livros eram comprados fisicamente, tinham a encadernação removida e as páginas cortadas para facilitar o processamento; em seguida, passavam por uma digitalização industrial, enquanto o exemplar físico era descartado. O artigo explica que essa técnica não é totalmente nova: certas bibliotecas e departamentos de preservação digital também desmontam livros para obter uma digitalização mais rápida e eficiente. A diferença fundamental reside na escala e no propósito. A Anthropic pretendia obter milhões de páginas para alimentar seus sistemas de inteligência artificial. Em Princeton, por exemplo, optou-se deliberadamente por métodos de digitalização que permitem preservar os exemplares físicos, ainda que sejam mais dispendiosos.
#Bibliocídio #IA #Anthropic
via The New Yorker
Disponível em: https://www.newyorker.com/culture/the-lede/destroying-books-to-build-a-mind
Deixe uma resposta