Não é sobre linguagem neutra / Jornal da USP
A lei sancionada não é sobre linguagem neutra, mas revela o que a filósofa Judith Butler nomeia como pânico pela possibilidade. A linguagem neutra opera como sintoma visível de um medo mais profundo. O que aterroriza grupos conservadores não é ouvir ou ter de utilizar no dia a dia a linguagem neutra, que aliás já acontece, mas a existência de uma categoria que desmonta a naturalidade do binarismo.
Quando alguém existe fora do binário masculino/feminino, toda a arquitetura que sustenta as normas de gênero começa a ranger. Se o gênero não é binário e natural, então toda a estrutura social que se apoiava nessa verdade revela-se como contingente, construída, potencialmente transformável. Isso é aterrorizante para quem precisa dessa estrutura para se sentir seguro, para organizar o mundo, para manter privilégios. Não é coincidência que 76,7% das proposições contra linguagem neutra em tramitação sejam de homens cisgêneros, em sua maioria brancos e vinculados a partidos conservadores.
#LinguagemNeutra
via Jornal da USP
Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/nao-e-sobre-linguagem-neutra/
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