‘Palavras do ano’ já não dizem nada / Folha de S. Paulo
Os dicionários até têm lutado para transcender o plano dos modismos digitais, mas não é fácil. Onde mais se movimenta discurso em larga escala nos dias de hoje? Todas as principais escolhas de 2025 são desse campo semântico. O Cambridge elegeu “parasocial”, nome das relações unilaterais que algumas pessoas travam com celebridades e chatbots.
O Collins optou por “vibe coding”, o ato de pedir a IAs que criem aplicativos e sites em vez de programá-los você mesmo. São escolhas honestas, tentativas de nomear o inominável mundo novo. No entanto, incapazes de transcender e comentar a realidade.
É como se a sobra de linguagem necessária para produzir sentido crítico-histórico tivesse sido abduzida pela máquina discursiva engendrada pelas big techs, que simula a novidade sem sair do lugar.
#Palavras
via Folha de S. Paulo
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/12/palavras-do-ano-ja-nao-dizem-nada.shtml
