O que é roubado, quando se rouba o museu? / a.muse.arte
A musealização de um objeto retira-o da circulação mercantil corrente e coloca-o num regime particular de valor: converte-se em documento, testemunho de uma sociedade, instrumento de representação política, memória material e parte de uma narrativa patrimonial coletiva. O roubo tende a inverter radicalmente esse processo, mas não da mesma maneira em todos os objetos.
Se uma joia histórica for desmontada para que as pedras e o metal circulem separadamente, perde-se, além da forma material, a sua própria biografia. Aquilo que constitui o seu maior valor no museu, como a identidade, a proveniência e a singularidade, torna-se um obstáculo à circulação ilícita, pois permite reconhecê-la. Em contrapartida, uma pintura não pode ser alterada sem perder o seu valor económico. Para continuar a “valer”, tem de continuar a ser Renoir, justamente aquilo que impede a sua circulação normal. O objeto fica suspenso entre dois regimes: conserva um enorme potencial de valor simbólico e económico, mas perde grande parte da sua liquidez. Pode então entrar em circuitos mais opacos, permanecer escondido durante décadas ou assumir funções que já não se enquadram na transação convencional de mercado.
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via a.muse.arte
Disponível em: https://amusearte.hypotheses.org/14676

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