Carolina Maria de Jesus e seus precursores / Odisseu

Carolina Maria de Jesus e seus precursores / Odisseu

Carolina Maria de Jesus e seus precursores / Odisseu

Em uma de suas vindas ao Brasil em 1984, Jorge Luís Borges, como de costume, repetiu a um público de fãs e estudiosos em São Paulo a ideia do livro como a maior invenção humana. O que, contudo, os ouvintes ali presentes talvez não imaginassem é que o erudito escritor argentino reproduzia ali uma noção presente no livro Quarto de despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus, que completa agora em agosto 65 anos de publicação. O leitor arguto poderia argumentar que isso já estava simbolizado em contos como “A morte e a bússola” e “O Sul” do livro Ficções (1944) do contista portenho. Vá, pode ser, retribuo a sugestão com um piparote e segue a prosa. Contudo, é imperioso suspender, por hora, essas supostas linearidades e positividades históricas para surpreender a potência crítica da escrita literária em lugares supostamente improváveis. Mesmo sendo o mesmo tópico frasal, o ato escrito e enunciativo da escritora pobre e negra no paulistano contexto favelado, analfabeto e iletrado do Brasil da época é, curiosamente, tanto mais potente e revelador do que a esperada fala do renomado autor de “Pierre Menard, autor de Quijote”, a uma plateia de acadêmicos.

#CarolinaMariaDeJesus

via Odisseu

Disponível em: https://oodisseu.com.br/carolina-maria-de-jesus-e-seus-precursores/

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