As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial? / Jornal da USP
A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?
Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.
O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.
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via Jornal da USP
Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/
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