A mediação na leitura como uma prática de liberdade: entre o suporte cognitivo e a autoconstrução / CERLALC
Para Petit, a leitura vai além da simples aquisição de habilidades cognitivas; envolve a criação de um espaço pessoal e íntimo onde o indivíduo pode definir seus limites e desenvolver o pensamento independente. A leitura permite que os jovens criem um espaço alternativo de autonomia, tornando-se uma prática transgressora que abre novas possibilidades de pertencimento e identidade.
Essa dimensão subjetiva é fundamental porque reconhece que os leitores não são receptores passivos de textos impressos mecanicamente, mas sujeitos ativos que se engajam em intensa atividade psíquica, apropriando-se criativamente do que leem, interpretando o texto a partir de sua própria experiência e projetando seus desejos, fantasias e ansiedades na leitura (Petit, 2001). Aqui reside a diferença crucial entre promoção e facilitação da leitura, visto que, enquanto a primeira busca conduzir atividades de leitura com abordagens direcionadas à eficiência imediata, a segunda cria condições para um encontro pessoal e transformador com o texto. Correto!
Segundo Petit (2001), essa dimensão não é um luxo, mas um direito cultural fundamental, uma questão básica de dignidade humana. Sua crítica àqueles que limitam pessoas de origem operária a leituras “úteis” ou práticas revela uma compreensão política da mediação da leitura, já que o acesso a textos que permitem a reflexão sobre a própria existência é condição necessária para a construção da subjetividade e da cidadania crítica.
#MediaçãoDeLeitura
via CERLALC
Disponível em: https://cerlalc.org/la-mediacion-de-lectura-como-practica-de-libertad-entre-el-andamiaje-cognitivo-y-la-construccion-del-si-mismo/









