Biblioterapia e Cronopatologia / A Biblioterapeuta

Biblioterapia e Cronopatologia

O biblioterapeuta Marc-Alain Ouaknin e o neurocientista Lamberto Maffei, nas suas obras “Bibliothérapie: lire c’est guérir” e “O elogio da lentidão” respectivamente, ofereceram-me uma palavra para nomear esta sensação de “caos dentro da rotina”: cronopatologia, literalmente “doença do tempo”. Enquanto Maffei sublinha a ironia que é o ser humano almejar imitar a produtividade e a velocidade das máquinas que ele próprio inventou (fruto de um cérebro lento nos seus processos de pensamento profundo e crítico essenciais à criatividade — o que é um paradoxo), Ouaknin defende que “a ausência de passado e a perda de capacidade de se projectar no futuro”, isto é, o manter-se atolado no dia-a-dia rotineiro e caótico são, para além de doenças do tempo, o tempo da doença. Também o filósofo germano-coreano Byung-Chul Han, no seu livro “A Sociedade do Cansaço”, constata que “a sociedade de produção e de actividade produz um cansaço e esgotamento excessivos (…) um cansaço individual, um cansaço que separa e isola (…) que provoca no indivíduo a incapacidade de ver e o mutismo”, que “dá lugar a uma mera preocupação pela sobrevivência” e “leva ao enfarte da alma”.

#Biblioterapia #Cronopatologia

via A Biblioterapeuta

Disponível em: https://abiblioterapeuta.com/2024/10/30/biblioterapia-e-cronopatologia/

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