Pensar o antropoceno com o cu: políticas anais e a crise climática contemporânea / Aedos
A ideia de políticas anais surge como um remendo necessário nas genealogias dos estudos de sexualidade e de gênero, devido sobretudo a ausência do ânus, a um buraco teórico e conceitual nas narrativas críticas ao sistema sexo/gênero. Segundo Javier Sáez e Sejo Carrascosa, “não há nenhuma referência à importância do anal, à sua função reguladora sobre o normal e o patológico, nem sobre sua relação chave com a masculinidade e a feminilidade (Sáez; Carrascosa, 2016, p. 67).
Nesse sentido, pensar sexo e gênero, significa também pensar o cu.A política é anal porque o cu é um espaço político por definição, as regulações sobre o cu constroem a própria constituição do sujeito ou da humanidade do humano, é também pelo cu que se decide quem pode matar e quem pode ser morto, “na medida em que o sexo anal pode acarretar nada mais nada menos que a morte em oito países do mundo, e a prisão em mais de oitenta” (Sáez; Carrascosa, 2016, p. 73). O ânus é político e conforma também uma política, é um espaço fundante da naturalização da diferença sexual e da lógica cisheteropatriarcal, é um lugar “onde se articula discursos, práticas, vigilâncias, olhares, explorações, proibições, escárnios, ódios, assassinatos, enfermidades (Sáez; Carrascosa, 2016, p. 73).
#Antropoceno #Gênero #Ecologia
Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/140583

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