Por que me alistei no Exército do Lula / A Terra é redonda
Entre objeções e a constatação de que a política se faz sob circunstâncias herdadas, a entrada no canal é necessária como lição de ação coletiva: a pergunta decisiva não é quem lidera a mobilização, mas se ela existirá a tempo de evitar a derrota
Entrei no canal “Exército do Lula”. Tinha motivos de sobra para ficar de fora, e começo por eles, porque continuam valendo. O primeiro é a linguagem. Exército, soldados, missões, tropa. A metáfora militar empobrece a política: transforma o adversário em inimigo e o apoiador em alguém que cumpre ordens. A esquerda passou anos criticando, com razão, a estética de caserna do bolsonarismo. Adotá-la, ainda que com o sinal trocado, tem custo.
(…) Sei que não teria entrado no canal em outro contexto. Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. A partir de 2027, o PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e do Senado, com 28 senadores. Em tempos normais, a decisão de aderir a uma mobilização como essa ficaria soterrada sob as objeções que listei no começo. Discutiríamos o nome, o líder, a estética, e a discussão seria legítima. Não estamos em tempos normais.
#Eleições
via A Terra é redonda
Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/por-que-me-alistei-no-exercito-do-lula/
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