As perspectivas científicas africanas resistem ao apagamento e à depreciação / Jornal da Universidade
Formado por 54 países, o continente africano possui uma infinidade de regiões, culturas e línguas. Só Angola abriga quase 20 línguas africanas, muitas das quais pertencem à família linguística bantu. No entanto, o processo colonial explorou, saqueou e escravizou o continente, distorcendo seu imaginário e sua história. Esse mecanismo, conhecido como epistemicídio, visava erradicar o conhecimento e a cultura africanos como forma de garantir a subordinação de seus povos. A África tem sido retratada como primitiva pelo Ocidente como forma de apagar suas contribuições científicas e reforçar estereótipos de primitivismo e exotismo – os filmes de Hollywood são um exemplo disso. O que é certo é que a dominação econômica, política e cultural do Ocidente resultou no estabelecimento de uma hierarquia de conhecimento e perspectivas epistemológicas, na qual a visão do opressor prevalece. “Não é possível falar da cultura africana como algo homogêneo. Existem múltiplas experiências e diferentes noções de espaço e tempo que precisam ser contextualizadas, discutidas e introduzidas como conhecimento legítimo nos programas educacionais desde a infância”, argumenta Alan Alves Brito, astrofísico e doutor em Ciências pela USP. Professor do Instituto de Física da UFRGS, ele desenvolve atividades de pesquisa no Centro de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos da universidade, trabalhando principalmente com a cultura dos povos iorubá, congo-angola (banto), fon, dogon, akan e egípcio.
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via Jornal da Universidade
Disponível em: https://www.ufrgs.br/jornal/african-scientific-perspectives-resist-erasure-and-depreciation/












