Biblioteca: acolhimento e democratização radical / Rascunho
Precisamos entender que a leitura é uma redistribuição de poder simbólico. Em uma sociedade desigual como a nossa, o acesso à norma culta, à literatura clássica e contemporânea e à capacidade de escrita é um divisor de águas entre a submissão e a autonomia. Quando o Estado investe em bibliotecas e fomento à leitura e à escrita, ele está, na verdade, desconcentrando poder. O Eixo 1 do novo Plano foca precisamente nessa democratização, tendo como instrumento principal o conceito, forjado em 2006, de “biblioteca de acesso público”.
A biblioteca — seja ela pública, escolar ou comunitária — é o motor central deste eixo. Ela é o único espaço social capaz de oferecer a gratuidade radical. Enquanto o mercado editorial opera na lógica do consumo, como lhe é próprio, a biblioteca opera na lógica do direito, combatendo o paradoxo da informação com a solidez da formação humana. É importante recordar que esse último movimento também reafirma a questão do coletivo, da coletividade, da leitura compartilhada em espaços múltiplos e agregadores que a biblioteca pode fornecer. Se a organização do mundo hoje força o individualismo, a solidão e o não compartilhamento, a biblioteca viva pode fornecer o oposto: a sociabilidade, o acolhimento e o aconchego social.
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via Rascunho
Disponível em: https://rascunho.com.br/colunistas/leituras-compartilhadas/biblioteca-acolhimento-e-democratizacao-radical/









