Editorial: Danilo Tupinikim – TYBYRA: corpos indígenas LGBTQIA+ em resistência Entrevistas: Edonéia Sampaio da Silva Miranda e Leandra Alencar Soares Lima de Passo, Rudson Adriano Rossato da Luz e Vitor Hugo Teixeira Perspectivas: Abe Muniz Pinto, Charlley Luz, Emerson Roberto de Araújo Pessoa, Rosilene Paiva Marinho de Sousa e Milton Shintaku Pesquisa: Ciência da Informação amplia debates sobre gênero e sexualidades LGBTQIA+ no Brasil Na foto: Comunicado no banheiro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, indicando: “Sinta-se à vontade para usar o banheiro correspondende ao gênero com o qual você se identifica.” Fotografia: Pedro Ivo Silveira Andretta
Quando e como nasce a informação: arqueogenealogia do conceito e análise dos seus efeitos epistemológicos e éticos, entre episteme, dispositivo e subjetivação / PPGCI – USP
Por meio de um estudo de histórias do conceito de informação, além de outras fontes, esta tese realiza uma análise epistemológico-histórica desse conceito, identificando as suas condições de emergência, seus desníveis em relação a outros conceitos (como livro e documento) e os seus efeitos no que se refere à produção de saber e à constituição de subjetividades. De maneira mais específica, este trabalho efetiva uma arqueologia e uma genealogia do conceito de informação, isto é, tendo Michel Foucault como uma das suas principais referências metodológicas, aponta quais são os determinantes estruturais do conceito e seu entrelaçamento em disputas sociais.
Observatório de inteligência artificial em bibliotecas latino-americanas – Relatório 1° 2026 / Zenodo
O relatório “Observatório de IA em Bibliotecas Latino-Americanas (OLIAB)”, desenvolvido pelo projeto From Paper to Algorithm (DPA Labs), é uma das primeiras tentativas sistemáticas de mensurar o grau real de adoção da inteligência artificial em bibliotecas latino-americanas. Seu principal objetivo é estabelecer uma linha de base regional durante o primeiro semestre de 2026, construindo um panorama documentado de como as bibliotecas latino-americanas estão incorporando tecnologias de IA, quais usos específicos estão implementando e quais limitações estruturais estão impedindo uma adoção mais equilibrada. (…)
O Brasil aparece como o país com maior volume de provas públicas documentadas. Destacam-se: PUCRS: guia para o uso responsável de IA generativa. UDESC/UFSC: agentes de IA em serviços e repositórios institucionais. UNICAMP: IA para estratégia de mídia social.
Coleções representativas de bibliotecas como resposta à opressão institucional de jovens negros LGBTQIA+ / The International Journal of Information, Diversity & Inclusion
Jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queer (LGBTQ) de cor são frequentemente sujeitos a formas de opressão institucional que moldam suas vidas. As forças institucionais raramente são mencionadas em pesquisas sobre serviços de biblioteca para jovens. Este projeto examina uma possibilidade para a criação de serviços de biblioteca mais significativos que reconheçam como o poder estatal e as tendências editoriais limitam o acesso à representação significativa para jovens LGBTQ e não binários de cor. Ele começa com a síntese de campanhas em andamento por maior diversidade na literatura infantojuvenil; abordagens teóricas críticas sobre raça, gênero e sexualidade; e as necessidades identificadas por adultos que trabalham em um centro comunitário para jovens LGBTQ com foco em contextos críticos.
Corpora contaminados: como a crise das retratações está sendo silenciosamente incorporada ao conhecimento científico da IA / Business Information Review
Este artigo argumenta que a crise de retratação na publicação acadêmica está cada vez mais presente em grandes conjuntos de dados de treinamento de modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) por meio de acordos comerciais de licenciamento entre editoras e IA, que fornecem arquivos completos de periódicos sem filtragem de retratações. Utilizando uma abordagem conceitual-analítica, o artigo sintetiza três vertentes da literatura empírica: estudos sobre o crescimento de retratações e citações pós-retração, pesquisas que examinam as interações entre LLM e artigos retratados e acordos de licenciamento entre editoras e IA documentados (…) O estudo conclui que garantir a integridade do conhecimento científico gerado por IA requer uma governança da informação mais robusta e o envolvimento ativo de profissionais da biblioteconomia e da ciência da informação na supervisão dos conjuntos de dados de treinamento de IA.
A intenção de superar os limites do Qualis centrado em periódicos é legítima e necessária. Entretanto, o modelo proposto pela CAPES parece transferir problemas antigos para uma nova arquitetura avaliativa sem resolver questões estruturais do sistema científico brasileiro. Persistem os desafios relacionados às publicações predatórias, aos vieses linguísticos da bibliometria, à diversidade disciplinar, às temporalidades distintas do conhecimento, à pressão por visibilidade digital e à ausência de clareza sobre os processos de avaliação qualitativa.
Mais do que nunca, torna-se indispensável ampliar o debate com a comunidade científica, especialmente, com as áreas de Educação e Humanidades para construir critérios capazes de valorizar a produção em língua portuguesa, a relevância social da pesquisa, a pluralidade metodológica e a autonomia intelectual das universidades. Sem isso, a prometida modernização poderá converter-se apenas em mais um movimento de adaptação periférica às dinâmicas globais de mercantilização da ciência.
Constituição étnico racial e de gênero de mediadoras da leitura nas bibliotecas comunitárias para o fortalecimento identitário das meninas negras / PPGCI – UFBA
Ao compreender as bibliotecas comunitárias como ambientes socioculturais, este estudo focaliza o desenvolvimento das atividades mediadoras de leitura que visam o alcance do protagonismo social, por meio do fortalecimento da identidade racial e de gênero. Nesta perspectiva, este estudo teve como objetivo geral investigar se a constituição identitária dos(as) agentes mediadores(as) que integram a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) interfere no desenvolvimento das atividades de mediação da leitura, contribuindo com o fortalecimento da representatividade étnico-racial e de gênero da menina negra. (…) s resultados sinalizam que as bibliotecas comunitárias estão, em grande parte, localizadas nos bairros periféricos e que esses espaços sociais estão na encruzilhada da interseccionalidade, com marcadores sociais de gênero, raça e classe. Ao mesmo instante, observou-se que o corpo funcional dessas bibliotecas, em sua maioria, é constituído por mulheres negras e que estão à frente das bibliotecas comunitárias brasileiras, atuando como coordenadoras/gestoras e/ou agentes mediadoras, sendo que, muitas destas mulheres permanecem nesses espaços informacionais por muitos anos, enfrentando os diversos desafios. A partir da coleta, tratamento e análise das informações que foram obtidas, foi possível mapear, investigar e verificar as ações realizadas pela Rede de Bibliotecas Comunitárias e sua atuação quanto ao alcance do protagonismo social na perspectiva étnico-racial voltada à menina negra.
Biblioteca, leitura e cidadania em escolas públicas / REBECIN
Esta pesquisa aborda os desafios e as potencialidades das bibliotecas escolares em instituições públicas situadas em contextos de vulnerabilidade social e econômica no Ceará. Tem como objetivo geral analisar o projeto Territórios da Leitura como uma iniciativa de promoção da leitura e da cidadania em escolas públicas de comunidades vulneráveis.
Bibliotecas públicas como agentes de prevenção da solidão indesejada: análise e proposta de intervenção / Infonomy
O estudo sistematiza a relação entre a solidão indesejada e a prevenção oferecida pelas bibliotecas, conectando-as como um “terceiro lugar” aberto e neutro que fomenta a socialização informal, como um agente de coesão social e como uma infraestrutura fundamental de saúde comunitária integrada a redes multissetoriais de prevenção. O estudo confirma que os serviços de prevenção oferecidos pelas bibliotecas desempenham um papel de apoio à comunidade. O trabalho revela a falta de indicadores padronizados para mensurar o impacto social das bibliotecas na prevenção, identificando sua criação e validação como uma futura linha de pesquisa.
Literatura de cordel, memória cultural e educação infantil / Memória e Informação
O artigo analisa a presença da infância nas discussões acadêmicas acerca da literatura de cordel, amparando-se na comunicação “Entre tradição e inovação: um relato de experiência sobre a integração da literatura de cordel e tecnologias digitais na educação infantil”, apresentada no I Congresso Internacional e II Congresso Brasileiro de Literatura de Cordel, ocorrido na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Com abordagem qualitativa e relato de experiência, investiga práticas pedagógicas que integram literatura de cordel e tecnologias digitais no âmbito da Educação Infantil, destacando seu potencial formativo na oralidade, expressão infantil e na transmissão de memória cultural.
Responsabilidade Social e Bibliotecas Escolares / RBE
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável convoca todos os setores – público, privado e sociedade civil – a agir “num espírito de solidariedade global” para reduzir as desigualdades e “não deixar ninguém para trás” (Resolução 70/1 da Assembleia Geral das Nações Unidas, 2015).
De acordo com este compromisso, empresas e organizações desenvolvem políticas de Responsabilidade Social Corporativa (Corporate Social Responsability). Passam a integrar na sua gestão preocupações sociais, ambientais e económicas, indo para além do lucro e do cumprimento mínimo da lei tradicionalmente valorizados.
Ao nível das bibliotecas, tradicionalmente houve quem olhasse para a profissão como a de um simples técnico, focado no tratamento documental e na disponibilização de recursos, como se o elemento central da sua atividade fosse garantir a circulação de informação e não a transformação social que ela possibilita.
Após bloqueio de verbas, MEC encerra repasses semanais e deixa federais sem previsão de pagamento / Folha de S. Paulo
m bloqueio de R$ 1,6 bilhão nas verbas do MEC (Ministério da Educação) levou a pasta do governo Lula (PT) a alterar o fluxo de pagamentos às universidades federais. Após avisar os reitores do fim das transferências semanais para custeio, a gestão do ministro Leonardo Barchini não informou quando os próximos valores serão liberados.
A falta de previsibilidade já afeta o funcionamento das instituições, que relatam dificuldades para honrar contratos.
Segundo o MEC, o impasse decorre da necessidade de adequação às restrições impostas pela reprogramação das contas do Executivo.
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