Desinformação com viés racial como violência estrutural: uma estrutura de operações discursivas do Brasil / Misinformation Review
Em 14 de março de 2018, Marielle Franco, vereadora negra e queer do Rio de Janeiro, foi assassinada. Poucas horas depois, começaram a circular alegações falsas de que ela seria “casada com um traficante de drogas”; embora formalmente desmentidas, tais alegações voltaram a circular dois anos mais tarde. O caso exemplifica um padrão estrutural: no Brasil, a desinformação voltada a pessoas negras mortas em contextos de violência estatal recorrentemente altera identidades, fabrica antecedentes criminais e difama a vida privada, com o objetivo de legitimar, de forma retroativa, a violência racial. Por meio da análise de 3.674 verificações de fatos realizadas por duas agências brasileiras certificadas pela IFCN (2018–2023), este artigo propõe um modelo discursivo replicável, composto por cinco operações, para compreender como a desinformação com viés racial opera e amplia os danos que provoca.
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