Geografia das placas: do mineral às práticas sócio-histórica e infomemoriais – Entrevista com Everton Lima / Divulga-CI
Confira nossa entrevista com o bibliotecário e pesquisador Everton Fernandes de Lima, doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba. Em sua dissertação, Everton investigou as placas de formatura como documentos institucionais e memoriais, analisando seus significados históricos, sociais e informacionais. Na entrevista, conheça mais sobre a construção da dissertação, os desafios de pesquisar um objeto pouco explorado e o percurso do pesquisador.
A autocitação é a forma como as áreas do conhecimento crescem / Scholarly Kitchen
O arcabouço teórico desta pesquisa baseia-se no modelo de estigmergia de Grassé, de 1959, originalmente desenvolvido para explicar como as colônias de cupins constroem estruturas elaboradas sem coordenação centralizada. Os operários individuais respondem autonomamente às modificações já feitas na estrutura ao seu redor, sendo cada ato de construção um estímulo para o próximo.
O paralelo é direto. Quando os pesquisadores citam seus próprios trabalhos anteriores, estão respondendo às suas próprias construções intelectuais e se baseando em estruturas robustas o suficiente para que outros possam se engajar com elas. O cupim operário, observou Grassé, retorna ao mesmo local diversas vezes antes de se mudar para outro lugar. Os pesquisadores que mantêm o engajamento com seu próprio território intelectual estão fazendo algo estruturalmente semelhante. (…)
A desvalorização automática da autocitação na avaliação bibliométrica pode estar penalizando exatamente o tipo de trabalho original e impactante que torna as estruturas de conhecimento suficientemente duradouras para que outros possam construir sobre elas. Essa é a principal alegação que este estudo sustenta.
Nada disso, porém, justifica a autorreferência ilimitada. O uso excessivo de autocitações tem sido explorado para manipular métricas, e a literatura sobre autopromoção por meio de periódicos e cartéis de citação documenta isso claramente. A questão é que a resposta a essa preocupação, na forma de penalidades bibliométricas generalizadas, tem sido brusca, causando danos colaterais à produção acadêmica legítima.
Além dos periódicos predatórios: a transparência na revisão por pares como estratégia preventiva para a integridade editorial na comunicação científica / Frontier
Este estudo concentra-se em complementar os sistemas de detecção existentes com transparência no processo de revisão por pares, como uma estratégia preventiva contra a atual opacidade desse processo na maioria das revistas científicas. Além disso, essa vulnerabilidade estrutural não se limita a revistas claramente enganosas, podendo também afetar revistas legítimas devido a fragilidades na governança, supervisão deficiente ou manipulação por agentes antiéticos, sem que isso implique necessariamente uma intenção explícita de conduta imprópria. Embora a transparência, por si só, não resolva o problema das revistas predatórias, ao atuar no ponto mais crítico e vulnerável, ela pode ser considerada uma estratégia capaz de prevenir anomalias ou mitigar o impacto de más práticas na integridade editorial — por meio de políticas explícitas de revisão por pares (ex ante), rastreabilidade do processo (durante a execução) e auditabilidade (ex post), bem como da divulgação progressiva ou integral dos pareceres de revisão. Por fim, este estudo não visa substituir os sistemas existentes de identificação de revistas predatórias, mas sim complementar a verificação dos processos editoriais com estratégias íntegras e genuínas, assegurando a confiança e a veracidade nas comunicações científicas.
Em novembro de 2022, a OpenAI disponibilizou o ChatGPT ao público pela primeira vez. Menos de quatro anos depois, cerca de metade dos adultos nos EUA afirma utilizar chatbots baseados em inteligência artificial, sendo que 24% dizem usá-los diariamente. A capacidade dessas ferramentas de gerar textos com sonoridade humana levantou uma questão fundamental sobre a web moderna: quanto do conteúdo online é atualmente produzido por IA, em vez de por outras pessoas?
Para investigar essa questão, utilizamos o arquivo da web Common Crawl para coletar quase meio milhão de páginas em inglês dos últimos cinco anos — começando alguns anos antes do lançamento do ChatGPT. Em seguida, submetemos o texto dessas páginas a uma ferramenta de detecção de IA chamada Open Pangram, para verificar quantas delas haviam sido, provavelmente, escritas ou substancialmente editadas por IA. (…)
No levantamento de julho de 2026, foram encontrados indícios de autoria por IA em mais de um terço das páginas publicadas após o lançamento do ChatGPT. Isso está em consonância com outros estudos que demonstraram que uma grande parcela das páginas publicadas recentemente na internet foi, provavelmente, escrita ou substancialmente editada por IA.
Isto é para Todos – A História Inacabada da World Wide Web / Almedina
Neste livro, Berners-Lee, reconhecido mundialmente com distinções como o Prémio Turing («Nobel» da Computação) e condecorado pela Rainha Isabel II, revela a história íntima e envolvente por trás da ferramenta que nos transformou na primeira espécie digital. Através de memórias pessoais pontuadas por anedotas e reflexões divertidas, recorda a génese da sua ideia espantosa no CERN, o seu objetivo inicial de fomentar a criatividade e colaboração universais, e como a Web, ao crescer, libertou também forças poderosas que hoje ameaçam a verdade, a privacidade e polarizam o debate público. Num momento em que o rápido desenvolvimento da inteligência artificial traz novos riscos e possibilidades, Isto é para Todos não é apenas a história fascinante da Internet, mas um guia essencial para as decisões que, como sociedade digital, enfrentamos. Berners-Lee apresenta um apelo urgente e uma proposta concreta de como podemos (e devemos) reengenhar as nossas vidas digitais para priorizar o florescimento humano, resgatando a promessa original da Web em vez de a deixar ser dominada pelo lucro e pelo poder.
O desafio de analisar comunidades de influenciadores na era algorítmica: um modelo metodológico para redes sociais audiovisuais com feeds de recomendação / Infonomy
A evolução das redes sociais em direção a sistemas de recomendação algorítmicos exige repensar a forma como comunidades centradas em influenciadores são identificadas e analisadas. Métricas públicas — como número de seguidores ou taxas de engajamento — não oferecem um panorama claro das estruturas de participação: embora seguir um perfil influencie a exposição ao conteúdo, isso não a limita, e a interação não implica necessariamente que o usuário já siga o perfil. Consequentemente, este estudo propõe um modelo metodológico baseado em ações visíveis, permitindo identificar e comparar comunidades definidas por interações observáveis por meio de comentários públicos.
A oralidade e sua importância para a preservação e perpetuação da memória coletiva / Encontros Bibli
Conclui-se que reconhecer a oralidade como patrimônio informacional e como elemento constitutivo da memória coletiva é fundamental para fortalecer políticas de preservação e mediação cultural nas instituições de memória. A incorporação sistemática de registros orais aos acervos documentais contribui para pluralizar narrativas, preencher lacunas históricas e ampliar a representatividade de sujeitos e comunidades, especialmente em contextos marcados por forte diversidade cultural e desigualdades de acesso à escrita, como o brasileiro.
As métricas tradicionais de engajamento estão passando por uma mudança estrutural. Mecanismos de IA para respostas e ferramentas de sumarização conseguem extrair insights de pesquisas revisadas por pares sem nunca direcionar o usuário ao site da editora. Isso cria uma lacuna de valor: o conteúdo publicado gera valor significativo para o pesquisador, sua instituição e seu financiador, mas não gera nenhuma visita ao site da editora.
Só tivemos evidências concretas para o enigma do clique zero quando bibliotecas do mundo todo começaram a consultar seus relatórios COUNTER de 2025. Ao comparar 2025 com 2024, as bibliotecas começaram a relatar mudanças significativas nos padrões de uso. Ao mesmo tempo em que as editoras registravam picos consideráveis no uso bruto, elas e seus clientes (bibliotecas) observavam uma queda notável no uso humano nos relatórios COUNTER.
(Mto interessante para gestores de periódicos e repositórios para a análise de uso / estudos de uso das plataformas)
Livros que não são mais lidos, uma internet que não é mais navegada e o fim das mídias sociais como as conhecemos… / The Digital Contrarian
E existem cinco maneiras distintas pelas quais o formato da escrita humana é decididamente diferente da chamada “imprecisão” gerada pelos modelos de IA atuais:
A IA explica demais seus temas (em vez de deixar que os leitores façam inferências).
A escrita humana é menos linear (com mais saltos temporais e flashbacks).
A IA utiliza metáforas corporais para explicar emoções (81% contra 38% dos humanos).
Os humanos fazem referência a textos, marcas e lugares específicos (quase o dobro da taxa da IA).
A narrativa de IA é menos diversificada (menos subtramas e cenas, menos diálogos).
Painel de Monitoramento do Plano Nacional de Educação – PNE
Esta plataforma reúne dados dos indicadores referentes ao cumprimento das 20 metas do Plano, sendo possível realizar desagregações por regiões, unidades da Federação e, quando for o caso, municípios, localização, dependência administrativa e perfis socioeconômicos (sexo, cor/raça e renda domiciliar per capita). As informações podem ser visualizadas por meio de gráficos e tabelas, possibilitando uma visão didática e interativa dos dados. No menu abaixo, você pode clicar sobre o botão de cada meta para iniciar a navegação.
Além dos indicadores das metas, também está disponível o Quadro Resumo dos Indicadores, que apresenta informações sobre o nível de alcance e o nível de execução de cada indicador de cumprimento do PNE.
Os Painéis Enem reúnem informações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em uma interface amigável para o usuário. Os dados são atualizados anualmente, de acordo com a divulgação das Sinopses Estatísticas do Enem.
O serviço permite consulta a partir da edição do exame de interesse do usuário. Há, ainda, opção de pesquisar por toda a série histórica disponível. Também é possível compartilhar os resultados.
Painel Estatístico – Censo da Educação Superior / INEP
O Censo da Educação Superior é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), por meio da Diretoria de Estatísticas Educacionais (Deed), conforme a Lei n.º 9.448/1997. É o instrumento de pesquisa mais completo do Brasil sobre as instituições de educação superior (IES) que ofertam cursos de graduação e sequenciais de formação específica, além de seus alunos e docentes. Essa coleta tem como objetivo oferecer à comunidade acadêmica e à sociedade em geral informações detalhadas sobre a situação e as grandes tendências do setor.
O Censo da Educação Superior reúne informações sobre as instituições de ensino superior, seus cursos de graduação e sequenciais, presenciais, semipresenciais ou a distância, vagas oferecidas, inscritos (ou candidatos), matrículas, ingressantes e concluintes e informações sobre docentes e mediadores pedagógicos nas diferentes formas de organização acadêmica e categoria administrativa.
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