Anais do 31º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação – CBBD 2026
Realização: Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) Tema: “As bibliotecas nos limiares do antropoceno” ISSN 2318-5546 Publicado: 09-07-2026
Editorial: Yasha Klots – Censura, Guerra e Literatura: Tamizdat Project na defesa de textos proibidos e da liberdade intelectual Entrevistas: Alessandra Maria Santos do Nascimento, Dulce Hirli Costa Almeida e Marlene Vasconcelos Moraes de Oliveira Perspectivas: Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos, Jesús P. Mena-Chalco e Mateus Rebouças Outras divulgações: Zaira Regina Zafalon e Márcia Ivo Braz – Percursos de pesquisa em Ciência da Informação: duas coletâneas que celebram a graduação Pesquisa: “Preservação de documentos de mídias sociais: desafios e melhores práticas” e “Entre livros e dedicatórias, Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira revelam laços de uma geração literária” Na foto: Entrada da Biblioteca de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará. Fotografia: Wánderson Cássio Oliveira Araújo
Como os dados FAIR estão ajudando a construir confiança na ciência / Nature
Se você cria um conjunto de dados e ninguém consegue encontrá-lo, ele é útil? Não tanto quanto poderia ser. Com a confiança na ciência sob ataque de agentes partidários e patógenos imparciais, é preciso melhorar a acessibilidade e a transparência das informações científicas — bem como a confiança nelas. É aí que entram os Princípios de Dados FAIR. Em 2014, cientistas perceberam que a gestão e a curadoria de dados poderiam se beneficiar de um conjunto de diretrizes compartilhadas, e dezenas de pesquisadores internacionais se reuniram para elaborar novas recomendações. Os princípios resultantes — que estabeleceram que os dados devem ser localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis (FAIR, na sigla em inglês) — foram publicados há dez anos1. A publicação original conta com cerca de 16.000 citações, e governos, agências de fomento e editoras de todo o mundo agora exigem que os dados sejam hospedados e compartilhados em conformidade com os princípios FAIR.
Relação entre as bibliotecas escolares do ensino médio, os meios e os problemas sociais: investigação bibliográfica / Revista General de Información y Documentación
O objetivo principal deste estudo é analisar detalhadamente a literatura existente (leis, regulamentos, relatórios, trabalhos de pesquisa, artigos científicos, etc.) para estabelecer um quadro de referência que conecte diversas funções fundamentais a serem desempenhadas pelas bibliotecas escolares na Espanha. Entre elas, incluem-se: o papel da biblioteca como elemento essencial na integração de políticas sociais ao currículo do ensino médio; ações voltadas para o fomento de uma educação sensível às questões de gênero; a integração de refugiados ao sistema educacional — por exemplo, por meio da promoção da leitura e do apoio linguístico; e a promoção de uma educação centrada na diversidade e na não violência, entre outros temas. Para tanto, estabelecemos um referencial teórico que reflete a realidade das bibliotecas escolares — especificamente no que diz respeito ao uso de redes sociais e à disseminação de informações por esses canais — no contexto da implementação de projetos e iniciativas destinados a desenvolver, aperfeiçoar e consolidar o currículo do ensino médio.
Conselho de Educação cria regras para garantir 200 dias letivos em escolas impactadas pela violência / Folha de S. Paulo
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um em cada quatro estudantes de 13 a 17 anos no Rio de Janeiro já tiveram aulas interrompidas ou suspensas por motivos de segurança. É o estado com o maior percentual de alunos sob este cenário (25,6%), acima da média do Brasil (7,7%) e da região Sudeste (7,1%), conforme pesquisa divulgada em março.
(…) Pelas diretrizes, cabe ao gestor do sistema de ensino, e não somente às escolas, a tomada de decisão a respeito do funcionamento ou não da unidade, “com orientações específicas para a adoção de medidas de adaptação e para reorganização do atendimento, bem como a retomada das atividades escolares de forma segura para estudantes, professores e profissionais da educação”.
Escolas em tempo integral sofrem queda no Ideb, aponta pesquisa / CNN
A pesquisa mostrou que o Ideb das escolas de tempo integral caiu 0,07 ponto, passando de 4,51 para 4,44 pontos, no período analisado. Por outro lado, o índice de escolas que não possuem ensino integral cresceu entre 2019 e 2023, passando de 4,13 pontos para 4,21 pontos.
Para os pesquisadores, entre as possíveis causas para os resultados estão a inalteração de atributos de escolas durante o período considerado na avaliação, além de possíveis mudanças no perfil de escola que influenciam no Ideb, mas não estão ligadas à educação em tempo integral.
Os economistas acreditam, ainda, que escolas que não possuem matrículas em tempo integral podem estar se apropriando de componentes pedagógicos típicos da educação em tempo integral, o que leva esse tipo de escola a obter um melhor desempenho no Ideb.
Principais Tendências para Bibliotecas Universitárias em 2026 / ACRL
No texto: – Respondendo a ações legislativas federais e estaduais – Cortes orçamentários e encerramento de programas e instituições – Questões estruturais do ensino superior – Navegando pela integração da IA: adoção, ética e discurso crítico – Norma final sobre o a Lei dos Americanos com Deficiência) – Recursos humanos em bibliotecas acadêmicas – Cultura de dados, curadoria de dados, impacto de dados e resgate de dados – Sustentabilidade ambiental em bibliotecas acadêmicas
Em resposta a pressões externas e internas, o ecossistema de ensino superior evoluiu rapidamente nos últimos dois anos. Espera-se que essas pressões, desafios e evoluções persistam em um futuro próximo. No entanto, os bibliotecários acadêmicos continuarão a utilizar sua expertise para ajudar estudantes, corpo docente e comunidades a navegar em um mundo da informação cada vez mais complexo e nebuloso. Os bibliotecários irão se adaptar e inovar e, ao mesmo tempo, continuar a defender a liberdade intelectual e a inviolabilidade da necessidade humana de explorar e aprender.
Catalogando e teorizando práticas de pesquisa aberta nas artes, humanidades e ciências sociais: problematizando e diversificando a Ciência Aberta / F1000 Research
Entre as principais conclusões, destaca-se a diversidade das práticas de pesquisa aberta em AHSS, que vão além do conjunto de práticas enfatizadas nas abordagens dominantes da Ciência Aberta. Identificamos, entre essas práticas, uma gama de formas de abertura, incluindo aquelas focadas na mobilização do envolvimento e do conhecimento especializado de diversos participantes e comunidades. Apresentando uma tipologia de formas de abertura em AHSS (Academias Humanas, Sociais e de Saúde) que é consistente com as lógicas epistêmicas dessas disciplinas, concluímos que a abertura em AHSS é altamente situada e dependente do contexto, além de resistir à quantificação e à mensuração binária. Com base nessas conclusões, oferecemos uma série de recomendações para instituições, iniciativas de monitoramento de pesquisa aberta, financiadores, editoras, sociedades científicas e pesquisadores para aprimorar a inclusão em suas políticas e práticas relacionadas à abertura.
A propensão a disseminar desinformação não pode ser compreendida apenas observando-se quem compartilha o quê. Existe um conjunto de atitudes em relação à ciência e à comunidade científica que molda mais profundamente a forma como as pessoas se relacionam com as informações científicas e sua disposição para repassá-las sem verificação. Esta edição mede — pela primeira vez — o chamado “populismo científico” (a tendência de desconfiar do conhecimento especializado e defender o senso comum ou a experiência pessoal como alternativas válidas) por meio de seis afirmações avaliadas em uma escala de 1 a 7.
Os resultados mostram que essa atitude está presente em uma minoria significativa da sociedade espanhola. A afirmação que gerou maior concordância (29,4%; notas de 5 a 7) é a de que pessoas comuns deveriam participar de decisões sobre o que os cientistas pesquisam. Em seguida, vêm afirmações que expressam preferência pelo conhecimento cotidiano em detrimento do conhecimento científico: 27,2% concordam que as pessoas comuns deveriam confiar mais em suas próprias experiências de vida do que nas recomendações dos cientistas, e 25,5% acreditam que nossa sociedade deveria confiar mais no senso comum do que em estudos científicos.
A crença de que a comunidade científica está mancomunada com a classe política e as corporações conta com a concordância de 25,2%. No extremo oposto do espectro, a afirmação que obteve menos apoio é a de que os cientistas buscam apenas o próprio benefício — com apenas 18,8% de concordância —, o que sugere que a desconfiança é sistêmica, e não pessoal: a desconfiança não se dirige ao cientista individual, mas sim à estrutura institucional que o cerca.
Mensurando o impacto real da adoção de IA nos fluxos de trabalho de bibliotecas universitárias / Clarivate
Entre as instituições entrevistadas, o uso de ferramentas de IA associou-se a diversas mudanças consistentes nos fluxos de trabalho das bibliotecas:
Redução do esforço em tarefas de preparação inicial, particularmente na transcrição de metadados, normalização e processamento de ementas de disciplinas.
Maior consistência e padronização, especialmente em casos em que os dados de entrada apresentavam grande variação de estrutura e qualidade.
Agilidade na transição do recebimento inicial para registros utilizáveis ou listas de leitura, com menos etapas manuais necessárias para obter resultados prontos para revisão.
Realocação do tempo da equipe, deslocando-o da inserção rotineira de dados para atividades que exigem maior capacidade de julgamento, validação e tratamento de exceções.
Wikipédia está lutando pela alma da internet / Folha de S. Paulo
Musk atacou a Wikipédia como “Wokepedia” e “uma extensão da propaganda da mídia tradicional”. Ele protestou contra sua própria página e pediu a seus seguidores que não fizessem doações por causa das iniciativas de diversidade da fundação. (…)
A Wikipédia se espalha por 345 edições. A em inglês é de longe a mais ativa, com quase 115.000 colaboradores, enquanto outras, em idiomas como o Kusaal da África Ocidental e o Seediq de Taiwan, têm alcance menor.
Na China, Myanmar e Coreia do Norte, a Wikipédia é completamente bloqueada. A Turquia baniu o site por quase três anos até 2020. A Wikimedia negociou com o governo indonésio este ano sobre ameaças de bloqueio.
Desde 2020, pelo menos 10 editores da Wikipédia foram presos por seu trabalho e incontáveis outros ameaçados.
Usos, linguagens e formatos nas redes sociais para calçados @flabelus / Cuadernos de Documentación Multimedia
O perfil da Flabelus demonstra que uma marca pode construir um arquivo digital complexo, sensível e culturalmente relevante no Instagram, por meio dos usos, formatos e linguagens que emprega em suas comunicações na plataforma. Nesse caso, a marca adota uma abordagem conscientemente comercial, utilizando uma linguagem própria e distinta, bem como formatos adaptados às capacidades tecnológicas da plataforma digital. A evolução desses formatos revelou que isso não implica uma ruptura de identidade, mas sim uma reconfiguração multimodal dos mesmos valores visuais e narrativos.
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