“A inteligência artificial não substitui só o nosso trabalho, ela substitui quem somos”, diz Valter Hugo Mãe / Odisseu

“A inteligência artificial não substitui só o nosso trabalho, ela substitui quem somos”, diz Valter Hugo Mãe / Odisseu

Eu sinto que a inteligência artificial vai trazer muito milagre, porque a capacidade da inteligência artificial é tão parecida, de fato, com o milagre. Mas ela também arrisca a destituir-nos do nosso papel como um todo. O que eu tenho observado, e é preciso ver que estamos no início, é que não só tem a ver com fazer o que nós não queremos fazer, mas também ser aquilo que nós devíamos ser. Por isso, a inteligência artificial não substitui só o nosso trabalho, ela substitui quem somos. Se você reparar, qualquer aplicativo de IA lida com você com um esplendor de trato humano muito maior que o seu. Eu, por exemplo, não parabenizo e não me atrevo a agradecer à inteligência artificial. Eu trato o aplicativo de IA como se estivéssemos de regresso à escravidão.

O aplicativo, como máquina destituída da humanidade que é, eu apenas escravizo, ordeno. E acho perigoso e assustador que o aplicativo tente convencer-me que é humano. E por isso que me elogie e diga coisas como “Muito bem, Valter, que bem pensado! Você quer que eu coloque o fundo amarelo? É uma boa ideia!” É absolutamente grotesco. Porque sou eu desumanizado diante de uma máquina que imita a humanidade. O que significa que a máquina não está só fazendo o que nós deveríamos fazer. A máquina está sendo aquilo que nós deveríamos ser. E por isso está a nos colocar outra vez na posição do sujeito horroroso. Eu, enquanto sujeito diante daquela máquina, encaro aquilo como uma alteridade que eu escravizo. E o lado de lá lida comigo como um ser humano esplendoroso, gracioso. Eu acho que com o tempo isso vai subverter completamente o espírito humano. Porque nós vamos ficar convencidos de que somos umas bestas, de que jamais teremos capacidade de esplendor. E que o esplendor é uma coisa industrial, fictícia e inalcançável.

#IA #Literatura

via Odisseu

Disponível em: https://oodisseu.com.br/a-inteligencia-artificial-nao-substitui-so-o-nosso-trabalho-ela-substitui-quem-somos-diz-valter-hugo-mae/

Os livros que passaram décadas encalhados e agora têm um misterioso comprador – a inteligência artificial / Exame

Os livros que passaram décadas encalhados e agora têm um misterioso comprador — a inteligência artificial / Exame

A ideia de que o aumento nas vendas de livros usados ​​está sendo impulsionado pelo crescimento explosivo da IA ​​remonta a uma decisão judicial nos Estados Unidos.

Em 2025, um juiz decidiu que o uso de livros adquiridos dessa maneira para treinar softwares de IA não constituía violação da lei de direitos autorais americana. A decisão foi resultado de um processo movido contra a empresa de IA Anthropic por três autores.

Em sua sentença, o juiz William Alsup afirmou que o uso dos livros dos autores pela Anthropic era “extremamente transformador” e, portanto, permitido pela legislação americana.

#IA #Livros

via BBC

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn9nnd20pv8o

O que é o “Projeto Panamá” e como ele revelou a destruição de milhares de livros antigos para treinar IA? / BBC

O que é o “Projeto Panamá” e como ele revelou a destruição de milhares de livros antigos para treinar IA? / BBC

“O Projeto Panamá é a nossa iniciativa de digitalizar, de forma destrutiva, todos os livros do mundo”, dizia o texto vazado, que mais adiante especificava: “Não queremos que se saiba que estamos trabalhando nisso”.

Maximiliano Firtman, professor argentino e autor de livros sobre programação e inteligência artificial, foi um dos autores que processaram a Anthropic nessa ação coletiva.

Como ele relatou à BBC Mundo, o juiz decidiu que, se a empresa comprasse um exemplar do livro, poderia utilizá-lo para treinar a IA.

“Foi então que começaram a surgir relatos de livreiros de todo o mundo recebendo pedidos de livros que ninguém havia manuseado, e de empresas dedicadas a digitalizar essas obras e fornecer o texto digitalizado a companhias de inteligência artificial. Foi assim que a questão da destruição dos livros veio à tona.”

#Livros #IA

via BBC

Disponível em: https://www.bbc.com/mundo/articles/ckgdmv8gz1jo

Claude lança marca d’água invisível em textos para identificar conteúdo gerado por IA / Infomoney

Claude lança marca d’água invisível em textos para identificar conteúdo gerado por IA / Infomoney

A partir dos modelos lançados em ou após 2 de agosto, a Anthropic afirma que está incorporando um sinal imperceptível e legível por máquina diretamente nos textos gerados pelo Claude. As pessoas não conseguirão vê-lo, e a empresa diz que ele não afetará a qualidade nem a legibilidade. Mas ele foi projetado para acompanhar o texto quando você copia e cola, e pode até sobreviver a algumas edições. (Uma reescrita pesada ou uma tradução pode eliminá-lo, porém.)

Como a marca d’água está no nível do modelo, ela acompanha o resultado do Claude em todos os lugares e aparecerá quando os usuários interagirem com o Claude pelo chatbot, pela API e até por ferramentas como o Claude Code. As imagens também receberão uma marca d’água que indica que o Claude processou o arquivo e sinaliza se alguém o adulterou desde então.

#Claude #IA

via Infomoney

Disponível em: https://www.infomoney.com.br/business/global/claude-lanca-marca-dagua-invisivel-em-textos-para-identificar-conteudo-gerado-por-ia/

Agentes de IA e serviços de referência: a promessa da quinta revolução industrial nas bibliotecas / Business Information Review

Agentes de IA e serviços de referência: a promessa da quinta revolução industrial nas bibliotecas / Business Information Review

A revisão indica que a IA agentica pode aprimorar significativamente os serviços de referência por meio de busca autônoma de literatura, suporte personalizado à pesquisa, descoberta inteligente de conhecimento, assistência multilíngue e resolução de consultas complexas. No entanto, questões relacionadas a vieses algorítmicos, alucinação, transparência, privacidade de dados, propriedade intelectual e responsabilidade profissional exigem uma governança cuidadosa. O artigo argumenta que uma implementação bem-sucedida depende de letramento em IA, supervisão ética, colaboração entre humanos e IA, estruturas de governança institucional, acesso equitativo e avaliação contínua. O texto apresenta uma estrutura estratégica para o avanço de serviços de referência inovadores, éticos e sustentáveis, habilitados por IA.

#IA #Bibliotecas #ServiçoDeReferência #AgentesDeIA

Disponível em: https://doi.org/10.1177/02663821261475992

Por que as más notícias se espalham mais do que as boas notícias? / Scimago EPI

Por que as más notícias se espalham mais do que as boas notícias? / Scimago EPI

“Se sangra, vira manchete.” Este velho ditado do jornalismo anglo-saxão resume uma realidade que pesquisas vêm documentando há décadas: notícias negativas atraem mais atenção, são mais facilmente lembradas e compartilhadas mais amplamente do que notícias positivas. Isso não é mera intuição jornalística, mas sim o resultado da interação entre nossa psicologia, as rotinas profissionais da mídia e, mais recentemente, os algoritmos das plataformas digitais. (…)

Por mais de meio século, estudamos como a mídia constrói a agenda pública. Na próxima década, talvez precisemos estudar como os modelos de linguagem reconstroem essa agenda, sintetizando milhões de agendas anteriores. Eles não substituem a mídia, mas estão se tornando os principais intérpretes do que a mídia noticiou sobre o mundo.

A mídia noticia os acontecimentos; a ciência estuda as tendências; e os modelos de linguagem tentam sintetizar ambos. Esperemos que nenhum dos três ofusque os outros. Um acontecimento sem contexto pode levar ao alarmismo; uma tendência sem acontecimentos carece de credibilidade. Compreender o mundo exige ambas as perspectivas.

#Notícias #Jornalismo #IA

via Scimago EPI

Disponível em: https://www.scimagoepi.com/por-que-las-malas-noticias-se-difunden-mas-que-las-buenas/

As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial? / Jornal da USP

As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial? / Jornal da USP

A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?

Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.

O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.

#Autoria #IA #Literatura

via Jornal da USP

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/

Leitores preferem contos escritos por IA e não conseguem distingui-los dos humanos, diz estudo / O Globo

Leitores preferem contos escritos por IA e não conseguem distingui-los dos humanos, diz estudo / O Globo

Pesquisa da Universidade Villanova mostra que histórias geradas pelo ChatGPT receberam avaliações superiores às de autores humanos; quando os leitores acreditavam que o texto era humano, a nota era ainda maior.

Leitores não apenas têm dificuldade para distinguir contos escritos por inteligência artificial daqueles produzidos por seres humanos, como também tendem a preferir as histórias criadas por IA. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, que aponta uma mudança na percepção sobre a capacidade criativa dos sistemas de inteligência artificial. A pesquisa mostrou ainda que textos gerados pelo ChatGPT receberam avaliações mais altas de qualidade e envolvimento do que obras de autores humanos.

#Literatura #IA

Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/08/05/leitores-preferem-contos-escritos-por-ia-e-nao-conseguem-distingui-los-dos-humanos-diz-estudo.ghtml

Jornais usam algoritmo para definir preço de renovação de assinaturas / Poder 360

Jornais usam algoritmo para definir preço de renovação de assinaturas / Poder 360

Você pode ter se deparado com preços dinâmicos –às vezes chamados de preços algorítmicos, personalizados ou de vigilância– ao reservar um voo ou comprar mantimentos no Instacart (empresa norte-americana de mídia e entrega de varejo). Isso acontece quando o algoritmo de uma empresa decide quanto cobrar com base no seu histórico de compras e outros comportamentos. E os assinantes de notícias estão percebendo isso cada vez mais quando suas assinaturas estão para serem renovadas.

“O jornalismo tem valor real, e as organizações de notícias têm todo o direito de buscar um modelo de negócios lucrativo”, disse Giordano. “Mas a precificação individualizada, determinada por sistemas de IA opacos que usam dados pessoais, e até mesmo características legalmente protegidas, está fora dos limites da concorrência justa e da legislação de proteção ao consumidor. Esse tipo de especulação de preços impulsionada por IA coloca informações essenciais atrás de um paywall que se move simplesmente dependendo de quem você é. Isso mina a confiança pública em um dos pilares fundamentais da democracia.

via Poder 360

#Jornalismo #IA

Disponível em: https://www.poder360.com.br/nieman/jornais-usam-algoritmo-para-definir-preco-de-renovacao-de-assinaturas/

Podemos impedir que a IA inunde as revistas científicas? / Chemical & Engineering News

Podemos impedir que a IA inunde as revistas científicas? / Chemical & Engineering News

– A inteligência artificial generativa agravou o antigo problema do “publicar ou perecer” na comunidade acadêmica, tornando a fabricação de artigos científicos algo trivialmente barato e rápido.
– Sistemas de detecção de IA conseguem identificar o que é possível, mas seus criadores admitem abertamente que a corrida contra o aprimoramento dos modelos de IA é uma disputa que talvez não vençam.
– Especialistas em integridade na pesquisa afirmam que a única solução duradoura é mudar a forma como os cientistas são avaliados: deixando de priorizar o volume para valorizar a qualidade.

#IA #GestãoEditorial #ComunicaçãoCientífica

via Chemical & Engineering News

Disponível em: https://cen.acs.org/policy/publishing/ai-fraud-science-journal-generative-ai/104/web/2026/07

Editorial: Ética e integridade na pesquisa na era da inteligência artificial / Frontier

Editorial: Ética e integridade na pesquisa na era da inteligência artificial / Frontier

A integração da IA ​​no ciclo de vida editorial oferece ganhos de eficiência e melhorias, mas também introduz questões éticas significativas que desafiam a integridade da pesquisa, a imparcialidade dos processos de revisão e a autenticidade da autoria. Transparência, diretrizes claras e supervisão contínua são essenciais para mitigar esses riscos e garantir que a IA enriqueça, em vez de comprometer, a publicação acadêmica. Conforme demonstrado nos artigos apresentados, este Tópico de Pesquisa documenta as questões éticas que envolvem o uso da IA ​​na publicação científica. Ele evidencia a necessidade de que todas as partes interessadas no ciclo de vida editorial estejam atentas às questões de ética e integridade na pesquisa na era da IA. Isso ocorre porque a IA está transformando o cenário das publicações acadêmicas, trazendo tanto oportunidades de inovação quanto desafios éticos significativos. Garantir o uso responsável de ferramentas de IA ao longo de todo o ciclo de vida editorial é fundamental para preservar a integridade da pesquisa.

#IntegridadeEmPesquisa #IA

Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/research-metrics-and-analytics/articles/10.3389/frma.2026.1931866/full

Escaneamento destrutivo / Otlet

Escaneamento destrutivo / Otlet

Uma reportagem da jornalista Susana Pérez Soler para o El País alerta que empresas de tecnologia de inteligência artificial estão de olho em livrarias de livros usados. A jornalista inclui o depoimento de um livreiro de Barcelona que teve quatro livros comprados por 34 euros, mais 67 euros de frete. Em seguida, recebeu outro pedido, e outro. Diante dessa situação estranha, o livreiro acabou entrando em contato com seus colegas europeus que estavam passando pela mesma coisa.

As compras são feitas por meio de uma empresa canadense de livros usados, e os livros são enviados para um depósito em Illinois, onde um operador logístico os escaneia, cataloga e registra. O problema é que não se trata de uma digitalização cuidadosa; as lombadas são cortadas para que as páginas sejam liberadas e a digitalização seja mais rápida e precisa — em outras palavras, os livros são destruídos. Tudo indica que o conteúdo escaneado será usado para alimentar modelos de inteligência artificial.

#LLMs #Livros #IA

via Otlet

Disponível em: https://www.revistaotlet.com/escaneo-destructivo/