Literaturas afro-diaspóricas: uma abordagem às categorias de interseccionalidade e *Doloridad* em *Cartas a mi mamá* de Teresa Cárdenas e *Cartas para minha avó* de Djamila Ribeiro / Acervo
A literatura afro-diaspórica expõe as experiências da diáspora negra ao redor do mundo. Investigamos duas importantes obras desse segmento: Cartas a mi mamá (2006) de Cárdenas e Cartas para minha avó(2021) de Ribeiro, analisando a partir das categorias de interseccionalidade e dororidade como essas literaturas revelam cenários em que mulheres racializadas sofrem violência e dor, enquanto constroem resistências.
Competência em informação, interseccionalidade e justiça informacional: tokenismo e desafios para uma agenda emancipatória na Ciência da Informação / Brajis
Propõe-se o conceito de tokenismo informacional para designar a incorporação simbólica, fragmentada e desproporcional das perspectivas e saberes de grupos minorizados nas práticas informacionais, sem que as estruturas que sustentam a exclusão sejam efetivamente transformadas. Como resultado, são formulados seis princípios orientadores para uma CoInfo interseccional: estruturalidade da desigualdade informacional; interseccionalidade como método; participação real como condição de legitimidade; reconhecimento dos saberes comunitários como fontes legítimas; compromisso antiopressivo como condição constitutiva; e avaliação como prática de accountability. Argumenta-se que a CoInfo só pode cumprir seu potencial emancipatório se abandonar a pretensão de neutralidade e assumir um compromisso explícito com a justiça informacional.
Constituição étnico racial e de gênero de mediadoras da leitura nas bibliotecas comunitárias para o fortalecimento identitário das meninas negras / PPGCI – UFBA
Ao compreender as bibliotecas comunitárias como ambientes socioculturais, este estudo focaliza o desenvolvimento das atividades mediadoras de leitura que visam o alcance do protagonismo social, por meio do fortalecimento da identidade racial e de gênero. Nesta perspectiva, este estudo teve como objetivo geral investigar se a constituição identitária dos(as) agentes mediadores(as) que integram a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) interfere no desenvolvimento das atividades de mediação da leitura, contribuindo com o fortalecimento da representatividade étnico-racial e de gênero da menina negra. (…) s resultados sinalizam que as bibliotecas comunitárias estão, em grande parte, localizadas nos bairros periféricos e que esses espaços sociais estão na encruzilhada da interseccionalidade, com marcadores sociais de gênero, raça e classe. Ao mesmo instante, observou-se que o corpo funcional dessas bibliotecas, em sua maioria, é constituído por mulheres negras e que estão à frente das bibliotecas comunitárias brasileiras, atuando como coordenadoras/gestoras e/ou agentes mediadoras, sendo que, muitas destas mulheres permanecem nesses espaços informacionais por muitos anos, enfrentando os diversos desafios. A partir da coleta, tratamento e análise das informações que foram obtidas, foi possível mapear, investigar e verificar as ações realizadas pela Rede de Bibliotecas Comunitárias e sua atuação quanto ao alcance do protagonismo social na perspectiva étnico-racial voltada à menina negra.
Organização do conhecimento, gênero e colonialidade na versão em espanhol da vigesimosegunda edição da Classificação Decimal Dewey (CDD22): um estudo crítico interseccional / Investigación Bibliotecológica
A análise identifica quatro padrões estruturais na representação de categorias relacionadas a gênero e dissidência de gênero e sexual: invisibilidade conceitual, patologização, fragmentação temática e subordinação hierárquica. Esses padrões revelam dinâmicas de injustiça epistêmica que restringem a inteligibilidade e a autonomia classificatória de certas experiências sociais, especialmente em campos como saúde, violência e ciências sociais. A partir de uma perspectiva interseccional situada, o estudo insere essas descobertas no âmbito das epistemologias feministas latino-americanas, ressaltando a necessidade de uma revisão crítica dos sistemas de organização do conhecimento para avançar em direção a formas mais inclusivas e socialmente responsáveis de representação documental.
Interseccionalidades das Desigualdades Raciais e Socioeconômicas / Rede Nacional de Ciência para Educação
O racismo opera em múltiplas camadas: estrutural, institucional, ambiental e interpessoal. Essas experiências configuram um estresse tóxico contínuo. Pesquisas mostram que esse estresse ativa de forma crônica o eixo HPA, elevando os níveis de cortisol. A exposição prolongada pode gerar atrofia do hipocampo, aumento da reatividade da amígdala, alterações no córtex pré-frontal e distúrbios do sono — todos eles marcadores associados a dificuldades de atenção, funções executivas, regulação emocional e desempenho escolar.
O racismo, portanto, não afeta apenas o bem-estar psicológico: ele produz efeitos neuropsicológicos mensuráveis que incidem sobre aprendizagem, comportamento e perspectivas de futuro. Esses fenômenos não são individuais: reproduzem desigualdades estruturais e perpetuam injustiças educacionais.
Encruzilhando saberes: apontamentos críticos para uma biblioteconomia interseccional e equânime / Palabra clave
A partir dos resultados apresentados, percebe-se que o posicionamento político dos autores evidenciados nesse texto reforçou a necessidade de construir-se uma agenda pautada pelos direitos humanos, por justiça social, racial, de gênero e epistêmica, visando minimizar os danos causados pelas relações de poder e pela luta de classes e que é ainda reproduzido pela classe bibliotecária nos seus espaços de atuação. Assim, é necessário instituir uma biblioteconomia brasileira interseccional (teoria e prática), que atue alinhada estreitamente às demandas sociais e políticas presentes no contexto social, evidenciando novos saberes e novos conhecimentos, em busca da equidade e da justiça social.
Representatividade de grupos minorizados socialmente no acervo de bibliotecas públicas e comunitárias: no contexto do feminismo interseccional
Analisa nove livros de literatura infantojunvenil feminista que abordam o empoderamento, assim como atividades de mediação de leitura. Os resultados apontam o potencial da literatura como informação para combater discriminações e desenvolver habilidades de competência em informação. Considera que a inserção de acervos de feminismo interseccional em bibliotecas de caráter público é uma forma de torná-las inclusivas e disseminar informações com potencial de empoderar.
Praticando interseccionalidades: estratégias para mobilização e atendimento de pessoas negras com deficiência em bibliotecas públicas
A inclusão de pessoas com deficiência nas ações de livro, leitura, literatura e bibliotecas tem sido destacada em várias áreas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. O mesmo acontece com a população negra que tem sido contemplada com um aumento de autorias, narrativas, performances literárias, grupos de pesquisas e de mobilização, sob a pauta intitulada relações étnico-raciais.
Gênero, raça e preconceito interseccional na triagem de currículos por meio da recuperação do modelo de linguagem
Neste trabalho, investigamos as possibilidades de usar LLMs em um ambiente de triagem de currículos por meio de uma estrutura de recuperação de documentos que simula a seleção de candidatos a emprego. Usando essa estrutura, realizamos um estudo de auditoria de currículos para determinar se uma seleção de modelos MassiveText Embedding (MTE) é tendenciosa em cenários de triagem de currículos. Simulamos isso para nove ocupações, usando uma coleção de mais de 500 currículos disponíveis publicamente e 500 descrições de cargos. Descobrimos que os MTEs são tendenciosos, favorecendo significativamente nomes associados a brancos em 85,1% dos casos e nomes associados a mulheres em apenas 11,1% dos casos, com a minoria dos casos não apresentando diferenças estatisticamente significativas. Análises posteriores mostram que os homens negros são desfavorecidos em até 100% dos casos, replicando padrões reais de preconceito em ambientes de emprego, e validam três hipóteses de interseccionalidade.
Manifestações de microagressões raciais na educação bibliográfica: enfoque no trauma racial
As microagressões mais frequentes ocorrem nas categorias de Deslegitimação/Invalidação e Amenaza/Intimidação, e as formas de opressão se cruzam com a opressão de gênero, racial e sexual na experiência educativa dos estudantes negros na educação superior. Com a escalada, descobriu-se que as microagressões raciais tiveram consequências traumáticas e, junto com as categorias de opressão observadas, tiveram um impacto duradouro na vida dos estudantes negros observados.
Interseccionalidade na Análise da Produção Científica de Pesquisadoras Negras Durante a Pandemia
A análise de citações revelou que os trabalhos de Crenshaw e Collins são os mais referenciados, refletindo sua influência predominante no campo. As citações de estudos que incorporaram o referencial da interseccionalidade sugerem a emergência de novas contribuições e a necessidade de diversificar as referências teóricas.
“O que é você?”: Experiências multirraciais em bibliotecas
O trabalho em torno do DEI na profissão bibliotecária muitas vezes apaga as experiências vividas por trabalhadores multirraciais da biblioteca. Por sua vez, este apagamento silencia as nossas experiências de racismo e microagressões, bem como as nossas opiniões e experiências únicas.
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